Economia

Qualidade de vida é decisiva para quem procura por imóveis nas praias cearenses

O contato com a natureza motiva quem resolve trocar a cidade grande pela praia. Além das casas e apartamentos próprios, outra alternativa para quem busca mudança de moradia é o investimento em multipropriedade

Giuliano Villa Nova

economia@ootimista.com.br

O ritmo acelerado de Fortaleza já não combinava mais com o estilo de vida do corretor de imóveis Sérgio Silveira. Ele admite que enfrentar o trânsito, o barulho e a rotina agitada da capital cearense começou a afetar sua saúde. “Eu sou ansioso por natureza, e com a chegada da pandemia e a necessidade do isolamento social, isso piorou. Precisei procurar outro lugar para morar”, comenta. Há poucos meses, ele decidiu unir o útil ao agradável. Como já conhecia bem o Porto das Dunas – a maioria de seus clientes são daquela região –, ele resolveu investir em um imóvel no bairro e ampliou o movimento de tornar a segunda moradia a primeira opção. “Eu já tinha um apartamento pequeno no Porto das Dunas, mas surgiu a oportunidade de comprar um maior. Não pensei duas vezes, ainda mais sendo um ‘pé na areia’ (bem próximo da praia)”, conta Sérgio.

Ele garante que não se arrepende da decisão de sair de Fortaleza. “Abracei essa região e estou muito feliz. O bairro é tranquilo, tem menos acessos, o que aumenta a segurança do local, sem contar a praia, que tem águas cristalinas e muitos locais de lazer”, descreve Sérgio Silveira. “Não tem coisa melhor terminar o expediente, dar uma corrida na praia ou um mergulho. A gente se sente renovado e muito mais tranquilo”, conta.

Novos ares

A desenvolvedora de softwares Luiza Bomfim também buscava novos ares quando decidiu se mudar para o Porto das Dunas. Antes da pandemia, ela estava de malas prontas para se mudar para a Espanha. Mas o lockdown em todo o mundo acabou com os planos. “A casa de praia era o local mais agradável, e meus pais e eu resolvemos vir passar a quarentena aqui. Quando o isolamento social terminou, decidi ficar”, conta.

Ela admite que a rotina atual é mais puxada do que a antiga, pois tem de lidar com a distância de Fortaleza e os afazeres domésticos, mas há muitas compensações. “Eu tenho uma piscina e uma área externa belíssima. Quase todo dia sento na varanda para pegar um ventinho e relaxar”, descreve.

A qualidade de vida e os amplos espaços de lazer também motivaram o empresário Espedito Neto a uma grande mudança. Ele resolveu trocar Fortaleza pelo Porto das Dunas em busca de dias mais tranquilos. “Precisamos fazer algumas adaptações nos horários, mas sem dúvida o dia a dia hoje está bem melhor, porque temos qualidade de vida”, resume o empresário.

Ele ressalta as vantagens oferecidas pela região, que tem atraído cada vez mais novos moradores. “O contato com a natureza, o cheiro do mar e a tranquilidade, assim como a facilidade no acesso, são fatores decisivos”, acredita Espedito, satisfeito por tornar a sua segunda moradia como a primeira alternativa. “O Porto das Dunas se tornou minha casa exatamente pela qualidade de vida e de lazer que consigo ter em um único local”, pontua.

Família

No caso de Luiza Bomfim, a mudança para perto da praia serviu para unir ainda mais a família. “Meu tio avô comprou esse terreno com o intuito de reunir a família. Mesmo com casa aqui, vínhamos poucas vezes. Com a pandemia, ficamos meses morando juntos, meus pais e meus tios. Para o futuro, vejo um local para meus pais morarem e que eu ia amar vir todo fim de semana encontrar os familiares”, relata.

O fato de o Porto das Dunas ser um bairro predominantemente residencial e frequentado por famílias é outro aspecto que atrai novos moradores. “Com muita frequência atendo clientes que querem se mudar com a família para cá. Todos querem um bairro tranquilo como esse para morar. É uma região que ainda precisa de algumas melhorias na infraestrutura, mas que vai continuar recebendo grandes empreendimentos de lazer e a tendência é continuar se valorizando”, descreve Sérgio Silveira.

Multipropriedade pode ser investimento mais vantajoso

De acordo com analistas, o alto custo de aquisição e de manutenção, além do pouco uso durante o ano, são os maiores problemas nos imóveis de segunda moradia. Por isso, os especialistas apontam que esse produto pode não ser a solução definitiva para aquecer o mercado imobiliário. “O custo é alto para um uso de menos de 5% dos 365 dias do ano. Em vários condomínios de segunda residência começaram a haver uma série de falhas de concepção dos produtos”, destaca Samuel Sicchierolli, presidente da VCI SA, incorporadora no Brasil da rede de hotelaria americana Hard Rock e da espanhola Eurostars

Um tipo de investimento mais vantajoso podem ser os empreendimentos de multipropriedade, em que o usuário paga apenas pelo período que usufrui. A VCI SA trabalha com esse produto de solução de férias, diferente da segunda moradia. “Cerca de 25% das vendas do Estado são de multipropriedade do Hard Rock Hotel, e isso mostra o quanto esse mercado está aquecido. Na multipropriedade, o comprador adquire o imóvel pelo período desejado e tem sua própria matrícula, ou seja, vitalício. É um bem para filhos e netos. E no Hard Rock Hotel, os móveis são trocados a cada quatro anos, sem custo, e há toda uma estrutura com atividades esportivas e shows musicais”, ressalta Samuel Sicchierolli.

Melhoria nos acessos incentiva os investimentos

A quantidade de empreendimentos no litoral cearense para segunda moradia não para de crescer, e um dos fatores que motiva os investimentos das construtoras é a melhoria nas rodovias de acesso, tanto para o Litoral Leste quanto para o Oeste. “Isso propicia deslocamentos mais rápidos. Aquilo que era medido em quilômetros, hoje é medido em tempo. Muitas famílias estão entendendo que dá para viver onde era a segunda moradia. Por exemplo, a Praia de Morro Branco está a 80 quilômetros de Fortaleza, mas você consegue fazer isso em 60 minutos. A primeira vez que eu fui para lá gastei mais de 2 horas”, compara Martônio Rodrigues, diretor comercial da Construtora Manhattan, empresa que tem feito lançamentos de segunda moradia no Ceará.

Martônio Rodrigues observa que a infraestrutura hoteleira do litoral cearense é estratégica, pois privilegia praias com características nativas. “Isso é um atrativo muito grande, principalmente para o europeu, que povoa nosso litoral nas férias”, ressalta. “Além disso, nossos ventos têm trazido praticantes de esportes que até duas décadas eram pouco falados por aqui, o kitesurf e o windsurf”, diz o empresário. “Essas características climáticas estão fazendo com que o Estado se consolide como um hub, não só aéreo, mas turístico e de negócios”, analisa.

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