Política

Sobre rebeldia e esperança na política

Erivaldo Carvalho
erivaldo@ootimista.com.br

O fim de semana foi de repercussão do lançamento de Ciro Gomes (PDT) à Presidência da República. Conhecido pela retórica e domínio de temas abordados – da macroeconomia à vida cotidiana do brasileiro -, o ex-governador mostrou disposição para liderar o projeto de desenvolvimento nacional, rapidamente esboçado durante a convenção nacional do partido, em Brasília, na sexta-feira, 21. Como já dito aqui, o pedetista é o mais experiente e preparado entre os pré-candidatos ao Planalto, com exceção do ex-presidente Lula (PT), com a vantagem, para Ciro, de não arrastar as correntes do passado que incriminam o petista. Mas o pré-candidato foi além.

Ciro fez uma radiografia que, embora enxuta, deu a dimensão dos gargalos por que passam o País. Ponto a ponto, jogou o olhar crítico na maioria das áreas que, no conjunto, estão fazendo a nação andar para trás. Para cada item, declinou a tarefa a ser cumprida, na hipótese de subir a rampa, nos primeiros meses de mandato. O diagnóstico feito por Ciro não comporta modelos do passado lulopetista, que fecundou o ovo da serpente que nos trouxe até aqui, muito menos os desmantelos do presente, que nos empurraram para o balé à beira do abismo. Ciro acertou ao se apresentar como rebelde de uma causa chamada Brasil. Aguardemos os desdobramentos.

Novo território de disputa
Primeiro partido a realizar convenção nacional deste 2022 eleitoral, o PDT optou por organizar o evento no formato híbrido – poucas pessoas, presencialmente, e forte entrada no ambiente online. A justificativa, claro, foi a pandemia. A decisão, entretanto, também pode ser vista como uma acertada estratégia, já que são as redes as novas trincheiras da batalha por corações e mentes. Independentemente das condições sanitárias, o formato veio para ficar. Lugares abarrotados, que já foram marca de campanhas eleitorais passadas, serão cada vez mais imagens de arquivo.

Mandato 2 em 1
Desde a institucionalização da reeleição, em 1998, disputas políticas no Brasil ao final do segundo mandato são encaradas como o início de um novo ciclo. Já quem chega lá vislumbra ficar oito anos no poder. O raciocínio vale para todos os níveis de governo. É um forte ingrediente nas articulações. Se é difícil projetar o que pode acontecer em quatro anos, imaginemos no dobro desse tempo.

Última semana
Congressistas e membros de parlamentos estaduais de todo o País entram, esta semana, na reta final do recesso. Muitos positivados por covid-19, não darão o último rasante nas bases eleitorais, antes da retomada dos trabalhos. Na próxima parada, em julho, serão as convenções para oficializar candidaturas. Tudo dando certo e nada dando errado, já estaremos na temporada de caça ao voto.

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