Política

Sobre parlamentos e cobertura jornalística

Brasília não para. Com o apagar das luzes da CPI da Covid, os holofotes são redirecionados, outros debates ganham visibilidade e, assim, a vida brasileira, em grande parte pautada pelo Congresso Nacional, segue novos rumos, no seu conhecido ritmo. Sequer terminou a semana em que o relatório final da investigação foi lido e aprovado e já temos outras importantes discussões no centro das atenções. Isso é bom e é ruim, dependendo dos interesses e personagens envolvidos. Às vezes, longe dos olhos da imprensa e da pressão da opinião pública, o submundo da política emerge, em grande parte, para fazer valer negociações, acordos e votações no mínimo impróprias.

Noutras vezes, a boa cobertura deixa às claras o que está acontecendo, efetivamente, ou impõe a necessidade de mais detalhes sobre decisões que estão em curso. Não, raramente, o que aparenta ser sólido às sombras derrete-se ao calor da luz. Por outro lado, pode encorajar os bons representantes, para seguirem cobrando mais transparência, republicanismo e respeito ao dinheiro do contribuinte. Em tempo: essa dinâmica entre disputa pelo poder e exercício do mesmo versus interesse coletivo não vale somente para a Capital Federal. Nos legislativos estaduais e municipais, a regra é quase sempre a mesma. O bom jornalismo sempre faz a diferença. É assim o jogo jogado.

A lupa de Danilo Forte
Na Câmara dos Deputados há o Comitê de Fiscalização de Execução Orçamentária, que como o nome diz, é responsável por acompanhar e identificar indícios de possíveis e potenciais desmandos na aplicação das verbas públicas federais. Particularmente, em programas-chaves do ponto de vista social. O presidente do comitê, deputado federal Danilo Forte (PSDB-CE), listou pelo menos dez áreas que serão submetidas a uma lupa fiscalizatória. Na lista estão cifras bilionárias, que bancam programas como Casa Verde e Amarela, Bolsa Família e combate à pandemia de covid-19.

A PEC dos Precatórios e o Ceará
O Ceará e outros estados correm o risco de serem prejudicados com a possível aprovação, pelo Congresso Nacional, da chamada PEC dos Precatórios – ou do Calote. Explica-se: dos R$ 89,1 bilhões que a União deve, a cujas dívidas não cabem mais recursos judiciais, pelo menos R$ 16 bilhões são créditos a estados e municípios. Especificamente, para o reparo ao Fundef e Fundeb.

Segue a disputa pelo União Brasil
A (re)aproximação de Ciro Gomes (PDT) com o DEM de ACM Neto pode repercutir mais do que o possível apoio do União Brasil às pretensões planaltinas do ex-ministro. Tem potencial de entregar o comando do novo partido, no Ceará, a um aliado do Abolição. Não será fácil. Na outra ponta, seguem as articulações nacionais para o UB estadual ir para a oposição. A disputa está em aberto.

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