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Prisão de ex-MEC abala governo, anima oposição e estimula CPI

Já pressionados pela escalada nos preços de combustíveis, aliados do Planalto definem detenção de Milton Ribeiro como “verdadeiro desastre”. PF investiga balcão de negócios na pasta

O presidente, com o então titular do MEC: “Boto a cara no fogo” / Pedro Ladeira/Folhapress)

Aliados do presidente e pré-candidato à reeleição, Jair Bolsonaro (PL) avaliam que a prisão do ex-ministro Milton Ribeiro (Educação), nesta quarta-feira (22), coroa o pior momento da campanha eleitoral do mandatário, que aparece em segundo lugar nas pesquisas, distante do líder Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Já apreensivos com a alta do preço dos combustíveis, anunciada na semana passada pela Petrobras, pessoas próximas o presidente dizem que a prisão abala ainda mais um dos pilares da campanha, que é o discurso anticorrupção, usado para fazer frente ao ex-presidente petista.

Quatro crimes
Ribeiro foi preso pela Polícia Federal sob suspeita de ter cometido quatro crimes: corrupção passiva, prevaricação, advocacia administrativa e tráfico de influência. Quando os primeiros indícios vieram à tona, Bolsonaro chegou a dizer que colocaria a “cara no fogo” pelo então ministro. Ontem, alguns aliados chegaram a dizer que a prisão é um “verdadeiro desastre” político.

Um integrante do núcleo duro da campanha bolsonarista diz que “não tem vida fácil”. Este aliado de Bolsonaro, porém, rechaça a tentativa da oposição de colar a prisão do ex-ministro no presidente, indicando a estratégia a ser adotada.

Presos
Além de Ribeiro, foi preso Luciano de Freitas Musse, advogado ligado aos pastores e que trabalhou no MEC (Ministério da Educação) durante 11 meses. A polícia investiga um balcão de negócios na pasta.

A operação deteve, ainda, os pastores Gilmar Santos e Arilton Moura, que negociavam a liberação de obras. Também foi detido Helder Bartolomeu, ex-assessor da Secretaria de Planejamento Urbano da Prefeitura de Goiânia.
Abertura de CPI

A oposição vai se aproveitar do episódio exatamente para apontar novas contradições no discurso do mandatário de que não haveria ilícitos em sua gestão. Aliados de Lula, por exemplo, reforçaram a defesa da abertura de uma CPI para investigar o MEC, mas a iniciativa enfrenta dificuldades.

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