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Interferências de Bolsonaro se acumulam em vários órgãos e áreas

A indicação do novo presidente da Petrobras entra na longa lista de ingerências. Qestionado, costuma recorrer ao discurso de autoridade

Intromissões no dia a dia do governo têm sido marca do atual presidente da República (Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil)

Em pouco mais de dois anos de mandato, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) acumula interferências em órgãos e outras áreas ligadas ao governo, como a recente intervenção na Petrobras, com a indicação do general Joaquim Silva e Luna para o comando da estatal. Outros Poderes também não escapam dessas iniciativas do presidente.

Sempre que é questionado sobre sua ingerência em decisões e processos, Bolsonaro repete a tática de reafirmar a sua própria autoridade, disparando frases como “quem manda sou eu” e “a minha caneta funciona”. Também já disse não ser um “presidente banana”.

Petrobras e Polícia Federal
A substituição de Roberto Castello Branco por Silva e Luna na presidência da Petrobras, que depende de confirmação pelo conselho da companhia, Bolsonaro provocou reação imediata do mercado, por passar a mensagem de intromissão na empresa, o que suscitou comparações com os governos petistas.

No episódio mais rumoroso até aqui, a suspeita de interferência na Polícia Federal levou o titular do Planalto a ser investigado em inquérito no STF (Supremo Tribunal Federal). Em andamento, a apuração foi aberta após o ex-juiz Sergio Moro deixar o Ministério da Justiça e acusá-lo de ingerência política na corporação.

Banco do Brasil e Câmara
Bolsonaro chegou a determinar a demissão do presidente do Banco do Brasil, André Brandão, no início deste ano, mas foi convencido a recuar pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, e pelo presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.

Disposto a eleger o líder do centrão, deputado Arthur Lira (PP-AL), para a presidência da Câmara dos Deputados -e colocar um potencial aliado no comando da Casa-, Bolsonaro admitiu intervenção do Poder Executivo na eleição do Legislativo.

PGR, AGU e Receita
Em 2019, ao indicar Augusto Aras para a PGR (Procuradoria-Geral da República), Bolsonaro desprezou a lista tríplice votada por procuradores da República e tradicionalmente levada em conta pelos presidentes da República desde 2003.

Em diferentes momentos, Bolsonaro requisitou a AGU (Advocacia-Geral da União) para tarefas consideradas uma extrapolação do escopo institucional do órgão.

Já na Receita Federal, os sinais de interferência do Planalto, sobretudo na unidade do Rio de Janeiro, começaram no primeiro ano do governo, em 2019. As pressões se referem principalmente à troca de servidores em postos de comando do órgão.
(Folhapress)

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