Política

Eliziane Gama e Eduardo Girão divergem sobre participações de Heinze e Flávio Bolsonaro na nova composição da CPI

Ambos os parlamentares conversaram com O Otimista nesta quinta e foram opostos quanto à nova composição da comissão. Mudanças passam a valer na próxima terça

Kelly Hekally
Correspondente em Brasília
kellyhekally@ootimista.com.br

CPI da Covid (Foto: Agência Senado)

Duas importantes mudanças na composição da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid divide as opiniões de parlamentares que participam da comissão.

Na próxima terça-feira, 3, quando os trabalhos da CPI da Covid serão retomados, o senador Luiz Carlos Heinze (PP/RS) passa à condição de titular da comissão, ao passo que o senador Flávio Bolsonaro (Patriota/RJ) torna-se seu suplente. Ambas as mudanças ocorrem pelo fato de o senador Ciro Nogueira (PP/PI) ter sido escolhido ministro da Casa Civil pelo presidente Jair Bolsonaro (Sem partido).

Questionada pelo O Otimista sobre possíveis impactos das alterações, a senadora Eliziane Gama (Cidadania/MA), do bloco independente do Senado Federal, afirma que o andamento dos processos da comissão, a exemplo da votação de requerimentos, não sofrerá impactos, uma vez que Heinze vinha participando ativamente na condição de suplente da CPI. “A CPI já tem uma linha de trabalho e creio que não será alterada com a troca de titularidade na base governista […] O senador Heinze já manifestou o seu conceito – um certo negacionismo, tratamento precoce -, superado já no processo de investigação.”

Também consultado pela reportagem, o senador Eduardo Girão (Podemos/CE), que reitera ser um parlamentar independente dentro da Casa, diz, contudo, que a presença de Heinze como titular fortalece técnica e politicamente os trabalhos. Para Girão, a comissão segue uma linha parcial e agressiva. “Mesmo como suplente, [o senador Heinze] já vinha atuando intensamente, demonstrando um bom senso de responsabilidade e moderação em todas as sessões.”

Presença de Flávio Bolsonaro
Acerca de Flávio Bolsonaro, a senadora do Maranhão diz, no entanto, que há tendência de fortalecimento entre parlamentares da CPI que apoiam o presidente do discurso defendido pela base governista de Bolsonaro, de que não houve negligência e má-condução do Governo Federal nas ações de enfrentamento à pandemia no Brasil e benefício para o Palácio do Planalto.

“Ele [Flávio Bolsonaro], sim, trará o governo para dentro da comissão ao ter acesso irrestrito aos documentos sigilosos. Deixará o Planalto mais bem informado das investigações e mais exposto à opinião pública.” Parlamentares da oposição e do bloco independente, este em sua maioria, posicionam-se pela culpa do presidente nos efeitos do novo coronavírus no País, sobretudo de mortes em decorrência da doença. Até as 18 horas desta quinta-feira, 29, o Brasil somava 553.272 óbitos confirmados em razão da covid-19.

Girão, no entanto, defende que não haverá mudanças no curso da comissão com uma possível presença corriqueira de Flávio Bolsonaro e que o senador carioca tem como dever ético declarar-se impedido de votar em questões que envolvam o Governo Federal, por ser filho de Bolsonaro.

“Espero, sinceramente, que a chegada de ambos os senadores para a comissão possa contribuir para que a CPI não continue sendo tão escandalosamente parcial e a ponto de frequentemente funcionar como um mero palanque eleitoral de 2022 antecipado em total insensibilidade e desrespeito ao povo brasileiro que ainda sofre as consequências da pandemia na área da saúde, economia (desemprego) e social (fome)”, disse o parlamentar cearense.

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