Política

Doria marca conversas com Eduardo Leite e candidatos da terceira via

Governador paulista (d) aposta no discurso da união / Governo do Estado de São Paulo/Divulgação

Após vencer acirradas prévias e ser indicado candidato a presidente em 2022 pelo PSDB, o governador João Doria (SP) fez dois movimentos visando apoio para a disputa do Planalto.

Primeiro, convidou o rival Eduardo Leite para integrar o comando de sua campanha, “em uma posição de protagonismo”, diz o paulista. Segundo, marcou conversas com nomes da chamada terceira via para discutir alianças e estratégias.

“Queremos uma posição integradora, agregadora”, afirmou Doria à Folha. Ele teve 53,99% dos 28.765 votos nas prévias, ante 44,66% do governador gaúcho e 1,35%, do ex-prefeito manauara Arthur Virgílio. O processo foi tumultuado por falha no aplicativo de votação e acusações mútuas de jogadas sujas.

Em relação a Leite, com que teve uma disputa dura, o paulista disse que combinou de conversa na volta de sua viagem a Nova York, onde vai liderar uma missão empresarial de 1º a 5 de dezembro. “Será como for mais confortável para ele”, afirmou.

A reunião visa reduzir danos, dado que as altercações nos bastidores foram dignas de uma campanha presidencial. Leite foi apadrinhado por dois adversários figadais de Doria, o deputado Aécio Neves (MG) e o senador Tasso Jereissati (CE), e a prioridade de aliados do paulista é vê-lo no barco.

Isso, claro, não garante a unificação do partido em si. Questionado sobre como seria lidar com Aécio, que deve permanecer no PSDB, Doria disse sem entrar na bola dividida que “desejamos o apoio de todos os mineiros, não só de um”.

Na visão dos aliados de Doria, Aécio apoiou Leite visando ver o partido sem candidato em 2022, para concentrar o PSDB no Congresso –hoje a bancada tucana na Câmara vota majoritariamente com o governo Bolsonaro. O mineiro nega isso, e diz que Leite seria o melhor nome para agregar forças.

Acerca dos colegas de terceira via, Doria não quis nomear, mas já conversou com alguns dos candidatos e com presidentes de partidos potencialmente aliados na noite de sábado (27), após ter sua indicação confirmada.

Historicamente, esse tipo de união beira o impossível no Brasil, e mesmo os ensaios de diálogo entre atores deste campo até aqui não foram muito frutíferos..

A partir da segunda semana de dezembro, pretende “conversar com todos”, citando aí a senadora Simone Tebet (MDB-MS), o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS) e o ex-juiz Sergio Moro (Podemos).

Em relação ao último, Doria o viu agitar a bolsa de apostas da terceira via desde que sua candidatura virou uma realidade.

O tucano é diplomático. “Ele é meu amigo, e entendo que ele deva fazer parte de uma frente em 2022. Ele não deve ser alijado de protagonismo, assim como os outros”, afirmou.

No momento, o tucano não fala sobre o X da questão: quem deveria ser cabeça de chapa numa eventual união. Para aliados do paulista, Moro age como candidato, mas evita declarar-se abertamente como tal. Eles e políticos de outras siglas consideram que ainda é cedo para avaliar o que irá acontecer.

Com o movimento em duas frentes, Doria busca amenizar a principal crítica que lhe é feita: a de que seria obstinado demais pela ideia de ser presidente, apesar de ter grande rejeição tanto em São Paulo quanto em pesquisas qualitativas em outras praças eleitorais.

Deixe uma resposta

Compartilhe

VEJA OUTRAS NOTÍCIAS