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Decisão de Fachin sobre Lula embaralha cenários para eleição do ano que vem

A anulação das condenações do ex-presidente, no âmbito da Operação Lava Jato, em Curitiba (PR) abre possibilidade de o petista - que mobiliza apoio quase na mesma medida que críticos -, venha a tentar um terceiro mandato presidencial

Ex-presidente segue como nome competitivo na disputa ao Planalto (Foto: Roberto Stuckert/Instituto Lula)

Renato Sousa
rsousa@ootimista.com.br

A decisão proferida ontem pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luis Edson Fachin, que anula as condenações contra o ex-presidente Lula da Silva (PT), no âmbito da Operação Lava-Jato – devolvendo-lhe a possibilidade de concorrer a um terceiro mandato presidencial -. vem provocando, desde então, fortes repercussões no noticiário.

O mercado financeiro, que patrocina a agenda de reformas do ministro da Economia, Paulo Guedes, reagiu mal. A B3, a Bolsa de Valores do Brasil, caiu 3,76% assim que saiu a decisão monocrática do ministro do STF. O dólar chegou a custar R$ 5,80 no maior pico do dia. Inicialmente ele era vendido a R$ 5,72.

O temor do mercado financeiro é movido pela esperança dos aliados do petista, de que ele volte a ser presidente. Em 2018, quando o nome do ex-presidente ainda era testado, o instituto Datafolha registrou em agosto Lula com 39% das intenções de voto, mais do que o dobro do presidente Jair Bolsonaro (a época no PSL), que tinha 19% das intenções.

Já entre opositores de Bolsonaro, o cenário ficou ainda mais indefinido. “Ao longo dos últimos anos, a oposição não conseguiu estabelecer uma liderança capaz de chegar próximo do potencial de votos de Lula”, diz Jorge R. Mizael, cientista político e sócio da Metapolítica Consultoria. “Com o Lula elegível e o Bolsonaro presidente, só quem se fortalece são os dois”, explica.

Lula supera Bolsonaro
No fim de semana, esse potencial foi evidenciado mais uma vez: levantamento do Inteligência em Pesquisa e Consultoria (IPEC) – nova consultoria criada por ex-diretores do Ibope -, apontou Lula com um potencial de votos superior até mesmo ao de Bolsonaro. “É preciso ver do ponto de vista político. Se ele quiser [disputar], é o mais importante nome de um campo político”, declarou o governador do Piauí, Wellington Dias (PT).

Críticos da polarização lamentaram a decisão de Fachin. Para eles, ela fortalece Bolsonaro ao devolver-lhe um “espantalho”. Uma das hipóteses discutidas é a de que uma repetição da polarização com o PT, ocorrido no segundo turno de 2018, abra caminho para a recondução do atual mandatário. Por essa leitura, o antipetismo pode falar mais alto novamente e dar a Bolsonaro um segundo mandato.

Outras leituras
Outros líderes políticos apostam que a reprise do embate interessa às duas forças antagônicas, já que poderia representar uma espécie de revanche, sem a interferência de adversários que se apresentem como opções mais moderadas ou conciliadoras.

Em 2018, Lula teve a candidatura barrada pela Justiça Eleitoral e foi substituído pelo então candidato a vice na chapa, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, que no mês passado, diante da indefinição do futuro do ex-presidente, foi lançado pelo PT como pré-candidato.

Lula, porém, deu sinais de que não descarta tentar um retorno ao Planalto. Nas últimas semanas, ele afirmou estar “à disposição” para enfrentar o atual chefe do Executivo e falou que poderia colocar seu nome nas urnas caso houvesse “uma razão maior”.
(Com Folhapress)

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