Política

Datafolha: Lula tem 47% das intenções de voto no primeiro turno; Bolsonaro tem 28%, seguido por Ciro com 8%

Em cenário estável apesar de crise, petista tem 47% das intenções de voto, ante 28% do presidente

Lula, Bolsonaro e Ciro (Foto: Reprodução/ Internet)

Nova pesquisa do Datafolha mostra um cenário estável na corrida pela sucessão de Jair Bolsonaro (PL) na eleição de outubro. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem 19 pontos de vantagem sobre o presidente, marcando 47% das intenções de voto no primeiro turno. Bolsonaro tem 28%, seguido à distância por Ciro Gomes (PDT), com 8%.

Dez outros candidatos se embolam, empatados tecnicamente, no pelotão dos que têm de 2% para baixo. A contagem regressiva de 100 dias para o pleito começa nesta sexta (24).

O Datafolha ouviu 2.556 eleitores em 181 cidades nos dias 22 e 23 de junho. A margem de erro da pesquisa, contratada pela Folha e registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número 09088/2022, é de dois pontos para mais ou menos.

O cenário registrado é semelhante ao da pesquisa passada, realizada em 25 e 26 de maio, apesar da agudização da crise econômica e política envolvendo o governo federal. Os pesquisadores do Datafolha foram a campo no mesmo dia em que emergiu a notícia de que o ex-ministro da Educação Milton Ribeiro havia sido preso, na quarta (22).

Aliado por quem Bolsonaro disse colocar “a cara no fogo”, ele protagoniza a apuração de um escândalo de corrupção, cujo combate é um dos pontos do discurso presidencial. O elemento se somou ao embate entre o Planalto e a Petrobras acerca do reajuste dos preços de combustíveis, que impacta na inflação numa campanha eleitoral marcada pelo debate econômico.

Além disso, o presidente enfrenta desgastes variados, do assassinato de um indigenista e de um repórter na Amazônia aos problemas de sua gestão, que acumula problemas. Nesse sentido, a oscilação positiva de um ponto percentual da rodada anterior para cá pode ser até comemorada por aliados mais otimistas de Bolsonaro.

Lula fez o caminho inverso, embora só tenha se notabilizado no período pela divulgação de um criticado plano de governo e por ter adicionado tropeços junto ao eleitorado conservador. Ciro, por sua vez, segue isolado num patamar abaixo do que havia conseguido em suas três tentativas anteriores de chegar à Presidência.

Também oscilou, de 7% para 8%. Ele é seguido pelo grupo liderado numericamente pelo deputado André Janones (Avante-MG), com 2%. Pior notícia colhe a chamada terceira via, que depois das desistência de Sergio Moro (União Brasil) e João Doria (PSDB), organizou-se em torno do nome da senadora Simone Tebet (MDB).

Mesmo com apoio de tucanos e com sua rodada de inserções publicitárias, ela viu suas intenções de voto desde o fim de maio oscilarem negativamente de 2% para 1%. Empatam numericamente com a senadora Vera Lúcia (PSTU) e Pablo Marçal (Pros).

Não pontuaram Sofia Manzano (PCB), Felipe D’Ávila (Novo), General Santos Cruz (Podemos), Luciano Bivar (UB), Eymael (DC) e Leonardo Péricles (UP). Com isso, o cenário de polarização entre Lula e Bolsonaro se consolida ainda mais, fazendo crescer a percepção de que o eleitorado olha para a corrida como um segundo turno adiantado a esta altura da disputa.
(Folhapress)

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