Política

Com base em reportagem de Veja, Girão volta a falar em desvio de recursos na pandemia

Depoimento de empresária, acusada de ficar com R$ 48 milhões, é usado como prova pelo senador do Podemos. Recursos foram repassados durante presidência de Rui Costa (PT-BA) no Consórcio Nordeste

Eduardo Girão (Podemos-CE) integra a CPI da Covid-19 no Senado Federal (Foto: Agência Senado)

Se apoiando na oitiva da empresária Cristiana Prestes Taddeo, presidente da empresa Hempcare Pharma, o senador cearense Eduardo Girão (Podemos) volta a denunciar o Consórcio Nordeste e o ex-ministro do governo Dilma, Carlos Gabas (secretário-executivo do Consórcio), de ser responsável por desvios para a aquisição de respiradores.

Pelo depoimento da empresária, o Consórcio Nordeste teria transferido para Hempcare R$ 48 milhões, adiantado, para a compra junto a um fornecedor da China de 300 respiradores a serem distribuídos aos governos participantes do Consórcio (os nove estados da região Nordeste – Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe), num momento no qual o equipamento estava em falta no Brasil todo (meados de 2020).

Para Girão, a “denúncia que tenho feito começa receber atenção da imprensa. Parabenizo o profissionalismo da revista Veja que publicou essa importante reportagem sobre a compra de respiradores por parte do Consórcio Nordeste”, opinou o parlamentar, referendando o depoimento da empresária como a prova de que houve crime de desvio de recursos pelo Consórcio Nordeste.

A questão é não haver comprovação de desvio de recursos, nem provas que tenham resultado em prisões e/ou processos envolvendo autoridades, sejam elas federais, estaduais ou municipais. Enquanto o senador Girão parabeniza os profissionais da Veja, esquece de ligar os pontos que a União repassou, a título de combate à pandemia valores de aproximadamente R$ 132 bilhões aos Estados e municípios do início da pandemia até o dia 15 de janeiro, recursos que foram usados para compra de equipamentos, contratação de hospitais de campanha, equipes entre outras ações do Estado.

O caso citado pelo senador Girão, referente aos R$ 48 milhões, no próprio texto da revista, é descrito como “a microempresa, como se sabe, na verdade aplicou um monumental golpe: sumiu com o dinheiro e nunca entregou as máquinas”. Ou seja, é um caso de má fé da atravessadora que pode ou não estar atrelada aos administradores do recurso público. E o caso ocorreu durante a presidência o governador Rui Costa (PT-BA) frente ao Consórcio Nordeste. Quem fechou o negócio foi Bruno Dauster, chefe da Casa Civil do Estado e responsável pela compra.

Outro caso várias vezes citado por Girão diz respeito à compra de respiradores pelo Ceará. Mas esse negócio, que foi investigado por Polícia Federal e Ministério Público da União, no Ceará, confirmou que o negócio foi realizado, os equipamentos foram entregues e o inquérito foi arquivado.

Eduardo Girão requereu a convocação de Carlos Gabas (secretário-executivo do Consórcio) para prestar depoimento, mas teve a solicitação negada pelos colegas parlamentares. No seu depoimento, Cristiana Prestes teria incriminado Gabas e citado o nome do prefeito de Araraquara, Edinho Silva (PT), ex-ministro de Dilma Rousseff.

O depoimento da empresária foi encaminhado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) à CPI da Pandemia aponta que Gabas, segundo Cristina Prestes, havia ligado se identificando como “irmão de alma” do prefeito de Araraquara e informando que a cidade estava precisando de 30 respiradores. Para a depoente, ficou implícito um pedido, momento no qual ela fez a oferta de uma “doação”. A situação, de acordo com o Ministério Público, seria um pedido de propina a ser pago com o dinheiro do Consórcio Nordeste.

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