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Edison Silva: Cid fez com Luizianne em 2012 o que parte do PT quer fazer em 2022 com PDT

Em 2008, o então vereador de Fortaleza, Tin Gomes foi indicado por Cid na chapa de Luizianne / Máximo Moura/Divulgação

A coligação do grupo liderado pelo senador Cid Gomes com o PT cearense começou em 2006, quando ele disputou pela primeira vez o Governo do Estado. Cid era filiado ao PSB. Os primeiros estremecimentos ocorreram já em 2008, quando Luizianne Lins foi tentar reeleger-se prefeita da Capital cearense. O vice-governador do Ceará era o petista Professor Pinheiro, indicado com o beneplácito dela. O governador Cid, então deveria indicar o vice para o segundo mandato de Luizianne, mas ela não queria acolher o nome do à época vereador de Fortaleza, Tin Gomes, mas acabou aceitando, pois sem o Tin não haveria o acordo.

A partir desse imbróglio a aliança só foi ampliando o desgaste. Em 2012, na sucessão de Luizianne ela (aliança) parcialmente explodiu. O governador Cid Gomes, à época filiado ao PROS, condicionou a continuidade da coligação à indicação de um candidato do PT que a ele fosse ligado, como hoje querem fazer alguns petistas em relação à escolha do candidato a governador, a ser feita pelo PDT. Cid apontou três nomes, todos seus auxiliares no Governo, que chegaram a ser exonerados do secretariado no dia 5 de junho daquele ano para que Luizianne escolhesse um deles: Camilo Santana, Francisco Pinheiro e Nelson Martins. Luizianne preferiu Elmano de Freitas como candidato a prefeito, e Cid, então, apresentou Roberto Cláudio. Foi uma disputa dura. Elmano chegou a ganhar no primeiro turno, mas perdeu no segundo.

O rompimento de Cid com Luizianne, ou dela com ele, não abalou tanto a relação dos petistas ligados ao diretório estadual com o Governo.  Os diretórios do PT do Estado e o de Fortaleza sempre divergiram. Em 2014, porém, mesmo à revelia de Luizianne, enfraquecida no diretório estadual, Cid Gomes, já agora no PDT, desconheceu as postulações de seus correligionários Domingos Filho, Izolda Cela, Mauro Filho e Zezinho Albuquerque, e indicou o petista Camilo Santana para ser o candidato à sua sucessão, agradando o PT nacional e o estadual, mesmo sendo o principal adversário na disputa Eunício Oliveira, senador da República e um ex-ministro do Governo Lula.

Com alguns percalços, em razão das acusações de Ciro Gomes contra o ex-presidente Lula, a partir da campanha presidencial de 2018, os esgarçamentos da aliança foram ampliados, também pela célebre declaração de Cid, numa plateia petista, ao responder um dos mais exaltados na defesa de Fernando Haddad, na presença de Camilo, dizendo: “o Lula tá preso babaca”. Há quatro anos Ciro mantém o ferino discurso contra Lula. Hoje, “Lula livre”, favorito para voltar a ser presidente, seus correligionários no Ceará querem reagir contra a liderança dos irmãos Ciro e Cid Gomes, ameaçando romper com a aliança, contando, implicitamente, apesar do discurso de conciliação, com o ex-governador Camilo Santana.

Camilo, dizem alguns, estimula e sonha com a candidatura da governadora Izolda Cela, admitindo, sendo ela a vencedora, será ele o “tutor” do próximo Governo, principalmente com a disposição do senador Cid Gomes de afastar-se dos compromissos com o grupo político formado por ele desde o início do seu primeiro mandato como governador. Tendo ou não mais um ingrediente, o certo é que o atual momento é difícil para as duas agremiações, pois está semelhante ao do pleito municipal de 2014, quando não houve acordo, sendo a disputa pela Prefeitura de Fortaleza por um candidato do PT e outro do PDT.

 

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