Política

Apesar de Pacheco, CPI da Covid garantiu julgamento político

Para além das mais de oito dezenas de indiciados, lista de crimes imputados e a tragédia que se abateu sobre o Brasil, a CPI da Covid deixa algumas outras marcas, dignas de registro. A maturidade institucional do Senado Federal foi uma delas. Não foi fácil o funcionamento. Antes mesmo, foi necessária a intervenção do Supremo Tribunal Federal, que determinou a instalação do colegiado. Isso, em reação à inércia do presidente da Casa, senador Rodrigo Pacheco. Filiado ao PSD a partir desta quarta-feira, 27, é o mesmo que atualmente posa de opção de terceira via na sucessão do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). A CPI existiu, apesar do presidente da Casa.

De hoje em diante, a CPI, sem os apelos dos holofotes, ganha outros ritmos e ritos. O resultado da investigação deixa o palanque político e passa a frequentar os escaninhos da Procuradoria-Geral da República (PGR), ministérios públicos estaduais e Polícia Federal (PF). Se – e somente se -, for reconhecido pelos órgãos de investigação e controle, o relatório final do senador Renan Calheiros será desmembrado em dezenas de procedimentos distintos. Ninguém sabe no que se transformará a papelada, o tempo que levará para cada possível desdobramento nem o que acontecerá com cada citado. Na pior das hipóteses, o Brasil, talvez, tenha assistido a um julgamento político. Nada mais.

Consórcio impulsionou trabalhos no Senado
Sem informação de qualidade teria sido impossível a instalação da CPI da Covid, seu avanço e os resultados apresentados. Parte do clamor social e político que embasou o pedido e a decisão do STF veio da imprensa profissional. Às voltas com o governo Bolsonaro, alguns grandes veículos de comunicação fundaram o consórcio que passou a informar, com credibilidade, a evolução dos números e índices de contágios e óbitos. A parceria começou a funcionar em junho de 2020, sete meses antes de o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) protocolar o pedido de investigação.

Jereissati versus Girão
Com o fim da CPI vem a discussão sobre o desempenho de seus membros. O País teve boas surpresas – e outras nem tanto. Pré-candidatos ou não no ano que vem, senadores disputaram a atenção da audiência. No Ceará, o veterano Tasso Jereissati (PSDB) e o senador de primeiro mandato Eduardo Girão (Podemos) assumiram posturas opostas. Tirem as conclusões.

Procura-se outro anteparo
Nas últimas semanas, na medida em que a CPI caminhava para o desfecho, o presidente Bolsonaro, já prevendo o resultado cáustico, passou a criticar, sistematicamente, o trabalho dos senadores não-alinhados. Atribuiu, por exemplo, a baixa atividade econômica à atuação do colegiado. Com o fim dos trabalhos, o presidente terá de encontrar outro anteparo a quem terceirizar a má gestão.

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