Política

Aliados de Lula e Alckmin veem aliança pavimentada mesmo com desgastes

A leitura de quem acompanha as conversas entre Lula e Alckmin é a de que ambos querem fazer a chapa acontecer e estão dispostos a superar diferenças

(Foto: Ricardo Stuckert / Divulgação)

Aliados do ex-presidente Lula (PT) e do ex-governador Geraldo Alckmin (sem partido) avaliam que a construção da chapa conjunta está pavimentada e que a união demonstrou, nos últimos dias, resistir a desafios de ordem programática e partidária.

Mesmo com as linhas gerais do plano econômico de Lula divulgadas na Folha em um artigo do ex-ministro Guido Mantega e a ampliação do debate no PT sobre a revogação da reforma trabalhista, interlocutores de Alckmin afirmam que diferenças pontuais nas propostas do petista e do ex-tucano não serão entraves para a aliança.

A leitura de quem acompanha as conversas entre Lula e Alckmin é a de que ambos querem fazer a chapa acontecer e, para isso, estão dispostos a superar diferenças –a união pode ser anunciada em fevereiro. O ex-governador abandonou os movimentos para disputar novamente o Palácio dos Bandeirantes e se concentrou em debater o país.

Lula, por sua vez, não viu mais surgirem especulações de nomes de vices depois que o de Alckmin entrou na roda. Petistas afirmam que, na opinião do ex-presidente, o jantar que os reuniu publicamente demonstrou que as resistências no partido e na opinião pública foram menores que o esperado.

No entanto, a chapa encontra opositores no PT e no PSDB. Tucanos que contavam com Alckmin em São Paulo para fazer frente ao PSDB do presidenciável João Doria e do seu candidato no estado, Rodrigo Garcia, demonstram decepção e não descartam que o ex-governador volte atrás na escolha por Lula.

Embora a velha guarda tucana admita que o PSDB raiz que defendem já foi próximo do PT, lembrando a boa relação entre Lula e FHC nos anos 1970 e 1980, o entendimento é o de que o petista se deixou corromper no poder e que Alckmin não pode se associar a isso. As diferenças programáticas seriam superáveis; as éticas, não.

Entre as divergências no plano de governo, a ideia de rever a reforma trabalhista, discutida por Lula em reunião com sindicalistas e economistas na terça-feira (11), foi tema de café da manhã entre Alckmin e o presidente do Solidariedade, deputado Paulinho da Força (SP), no dia anterior. Paulinho, que é contrário à revogação da reforma, afirmou à Folha que Alckmin demonstrou haver preocupação do mercado com essa iniciativa.

Mais tarde, petistas e alckmistas passaram a divulgar que o ex-governador, na verdade, demonstrou interesse em estudar o tema e entendia a proposta de Lula não como algo radical, mas como uma iniciativa de diálogo entre as partes para melhorar a legislação.

A conversa com Paulinho, registrada em foto e divulgada nas redes, sinalizou ainda que embaraços de ordem partidária à formação da aliança também tendem a ser solucionados. No encontro, o deputado reforçou o convite para que Alckmin se filie ao Solidariedade e componha a chapa com Lula. O ex-tucano ainda não deu resposta.

O plano original é o de que Alckmin se filie ao PSB, partido que forneceria a Lula a vice-presidência e que formaria uma federação ou aliança com o PT. Em troca, os petistas abririam mão de candidaturas próprias e apoiariam os pessebistas em cinco estados: RJ, ES, RS, PE e SP.

A questão paulista, no entanto, travou a negociação. O PT não abre mão de lançar o ex-prefeito Fernando Haddad(PT), que aparece à frente do ex-governador Márcio França (PSB) nas pesquisas. O partido argumenta ainda que São Paulo é um estado chave, berço do petismo, e que há chance real de vitória.

(Folhapress)

 

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