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Relatório cearense sobre meninas será base para projetos do Unicef

Chefe do Unicef no Semiárido participou de evento e afirmou que estudo deverá ser adotado dentro e fora do Brasil. Coordenadora diz que pesquisa ajudará na construção de políticas públicas

Danielber Noronha
danielber@ootimista.com.br

Foto: Divulgação

Relatório elaborado pelo Comitê de Prevenção e Combate à Violência da Assembleia Legislativa do Ceará (AL-CE) sobre violência contra meninas vai servir de base para que o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) no Semiárido construa propostas sobre a temática no Brasil e no Exterior.

A informação foi dada por Dennis Larsen, chefe da instituição no Semiárido, nesta sexta-feira (25), durante apresentação das conclusões do estudo. “Poderemos utilizar esse projeto para procurar inovações que vão muito além do Ceará para salvar a vida de meninos e meninas a nível nacional e outros países”, afirmou.

O evento, que contou com a participação de Jurema Werneck, da Anistia Internacional, e representantes dos Direitos Humanos, trouxe a público constatações da pesquisa “Meninas no Ceará: a trajetória de vida e de vulnerabilidades de vítimas de homicídio”, que analisou marcadores de raça, classe, gênero, escolaridade e território na história de vida das jovens.

Entre as interseções pinçadas dos relatos de familiares das vítimas, envolvimento com facções e amizades estão entre as principais motivações para assassinatos em adolescentes e pré-adolescentes.

133 trajetórias em relatos
A pesquisa de natureza quantitativa realizou uma comparação de dados de duas fontes de informação: relatos das famílias e de meninas vivas – 71 adolescentes em condições similares às vítimas de homicídio no Estado. No total, 133 trajetórias foram analisadas. As meninas tinham em média 16 anos; 59% eram pardas; 50,40% não frequentavam a escola; 67,90% moravam com os pais; 84,40% eram solteiras; e 39,10%, evangélicas.

Conforme Daniele Negreiros, psicóloga e coordenadora da pesquisa, o principal objetivo é fornecer informações ao poder público para dar embasamento a novas políticas que ajudem a mudar tal perspectiva. Entre as propostas, está a prevenção de violência contra adolescentes e jovens mulheres por meio do fortalecimento da rede de atendimento e proteção nos níveis virtual, comunitário e familiar.

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