Jornal Impresso

Mechas de cabelo doadas refletem-se como ajuda a mulheres em tratamento de câncer

Ações em Fortaleza contribuem com mulheres que não podem comprar perucas, bem como dão acesso a turbantes e artigos necessários durante o tratamento da doença. Mastologista destaca importância do reforço à autoestima de pacientes

Danielber Noronha
danielber@ootimista.com.br

Doações podem ser feitas durante todo o ano (Foto: Beatriz Bley)

No mês dedicado à prevenção do câncer de mama, organizações da sociedade civil e especialistas reforçam a importância do autocuidado e de uma atitude capaz de transformar a vida de mulheres em tratamento da doença: a doação de cabelos.

As mechas doadas são transformadas em perucas de aspecto natural, capazes de gerar novas perspectivas para pessoas acometidas pelo câncer, que acabam perdendo os fios em decorrência dos procedimentos. O projeto Um pedacinho de amor não dói e a Associação Toque de Vida trabalham para promover bem-estar a pacientes.

A primeira iniciativa foi criada há seis anos pela estudante Marília Karen, com o intuito de confeccionar perucas para crianças. Atualmente, o projeto ajuda pessoas de todas as idades. As perucas são destinadas a entidades e pacientes que não têm condição financeira de comprar o acessório. Por não dispor de um local próprio para a captação, o projeto tem parcerias espalhadas por Fortaleza, que funcionam como pontos de arrecadação: os pontos de coleta do Centro de Hematologia e Hemoterapia do Ceará (Hemoce); o Hospital Geral Dr. Waldemar Alcântara (HGWA); e a Associação Nossa Casa.

Para doar, é necessário cortar uma mecha de cabelo com no mínimo 15 centímetros, sendo qualquer tipo de cabelo, natural ou com química. O HGWA chama atenção para o fato de que, antes de cortar os cabelos, é importante limpá-los e secá-los naturalmente. O corte pode ser feito pela própria pessoa ou por cabeleireiro. É necessário prender a mecha com elástico e cortá-la cerca de um ou dois centímetros acima da marca. Depois, as mechas devem ser colocadas em um saco plástico limpo e seco.

Mais confiança
Para Cristiane Coutinho, médica e chefe do Ambulatório de Mastologia da Maternidade Escola Assis Chateaubriand (Meac), as perucas podem representar um fôlego a mais na luta contra o câncer. “Além das pacientes ficarem fragilizadas pela quimioterapia, é como se mostrassem ao mundo que estão doentes”, define.

A mastologista afirma que, quando usam peruca, as mulheres se tornam mais confiantes, e o estereótipo é amenizado. A médica reforça, ainda, a necessidade do autoconhecimento sobre o corpo. “Quando a mulher exerce esse conhecimento, fica atenta a qualquer alteração no corpo.”

Para si e para os outros
À frente da Associação Toque de Vida há seis anos, Mary Dias, 66, tem contato com o câncer de mama desde 1997, quando começou a ajudar pessoas a buscar tratamento nos hospitais de Fortaleza. Depois de 13 anos fazendo esse trabalho voluntário, relata, também recebeu um diagnóstico positivo para a doença. Hoje, mastectomizada e curada, a presidente da instituição ajuda outras mulheres a lidarem com a doença.

“Não acredito que nada na vida seja por acaso. Eu já estava ajudando outras pessoas e me preparando para o que iria passar com o câncer. Tudo isso me fortaleceu ainda mais”, destaca. A Toque de Vida também capta doações de cabelos para compor perucas que fazem parte do banco da associação. “São perucas que emprestamos até que acabe o tratamento. Quando recebemos, elas são esterilizadas e encaminhadas para outras mulheres”, detalha.

Além das perucas, a entidade tem bancos de turbantes e lenços, tops e maiôs necessários para as mulheres que submetem à cirurgia de mastectomia, a retirada da mama. “O tratamento é um momento delicado, e muitas mulheres não têm condição financeira de arcar com todas essas necessidades”, completa.

Deixe uma resposta

Compartilhe

VEJA OUTRAS NOTÍCIAS