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Letalidade da covid-19 entre profissionais da saúde é de 0,2%

Epidemiologistas explicam que alta testagem, acesso à informação e utilização de EPIs fazem com que taxa seja baixa. Em seis dias, Capital registra diminuição de média diária de novos casos

Danielber Noronha
danielber@ootimista.com.br

(Foto: Edimar Soares)

Apesar da maior exposição decorrente do contato direto com pacientes infectados pelo novo coronavírus, profissionais da saúde possuem índice de letalidade bem abaixo do geral. No Ceará, onde houve 14 óbitos, e em Fortaleza, onde aconteceram oito mortes, a taxa é a mesma, de 0,2%.

A categoria inclui todos os trabalhadores da área, como médicos, motoristas de ambulância, maqueiros, dentistas etc. Para efeito de comparação, a letalidade geral da covid-19 no Estado é de 7%. Já na Capital, ela fica em 8,4%. O cálculo da taxa de letalidade é feito a partir do número de óbitos pelo número total de doentes.

Epidemiologista e pós-doutora em Saúde Pública, Thereza Magalhães atribui a disparidade ao número de testes voltados para profissionais da área. “Os primeiros testes que chegaram foram direcionados a profissionais da saúde porque o sistema precisava garantir pessoas trabalhando na escala para atender pacientes com suspeita do vírus”.

Lígia Kerr, epidemiologista e professora da Universidade Federal do Ceará (UFC), destaca que a testagem em profissionais sintomáticos e assintomáticos possibilitou um recorte mais próximo do real em relação ao espraiamento da covid-19 entre no setor. “Enquanto estão fazendo a sorologia nestes profissionais desde cedo, ainda estamos na ponta do iceberg para saber a situação da população geral”.

“Se a maioria dos profissionais conseguiu ser testada, o denominador da fração aumenta e o resultado baixa”, detalha. Professora da Universidade Estadual do Ceará (Uece), Thereza destaca que, embora o Ceará seja o estado que mais testa no Brasil, o número teria que ser maior para diminuir a taxa de letalidade atual.

Em decorrência da rotina do tratamento de pacientes, estes profissionais da saúde detém a maior propriedade das técnicas para se cuidar em cenários de contágio com o vírus, acrescentam as especialistas. “Alguns médicos portam oxímetros de pulso e podem medir níveis de saturação e saber como está a situação antes do quadro se agravar”, acrescenta Lígia.

O uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) pelos profissionais é também um fator positivo, segundo Thereza. Entre as ações adotadas pelos poder público, dispensar profissionais do setor encaixados no grupo de risco da doença contribuiu para que o número não registrasse aumento, atribui também a professora da Uece.

Plataforma em que ficam compiladas informações da Secretaria da Saúde (Sesa) sobre a covid-19, o Integrasus indica que foram realizados, até a noite de ontem, 8.823 exames nos profissionais em Fortaleza. Ao todo, 3.863 testaram positivo para a doença. Foram registrados oito óbitos, entre eles três médicos e três auxiliares ou técnicos de enfermagem. Dentre as confirmações, técnico ou auxiliar de enfermagem é o cargo com maior incidência registrada, totalizando 1.000 casos. Médicos aparecem na sequência, com 731 notificações.

Fortaleza tem redução de média de casos confirmados
A média de notificações de casos confirmados covid-19 em Fortaleza caiu para 397 por dia entre 20 e 26 de maio. No período equivalente da semana anterior, de 13 a 19 de maio, a média diária foi de 514 novos casos. O cálculo leva em consideração dados da plataforma IntegraSUS.

Entretanto, a média de óbitos ainda encontra discrepâncias no que diz respeito às confirmações. Nos últimos três dias, a média de mortes diárias confirmadas foi de 63, enquanto nos três dias subsequentes a quantia marcou 23.

Procurada pela reportagem, a Secretaria de Saúde (Sesa) explicou que os números confirmados não são de mortes que ocorrem, necessariamente, no período de 24 horas indicado na atualização da plataforma, tendo incluído óbitos que estavam represados devido espera pelo diagnóstico.

A Sesa havia antecipado, na semana passada, possibilidade de achatamento na curva de confirmação, indicando a existência de tendências favoráveis à diminuição de novas notificações da covid-19 na Capital.

A situação dos leitos para covid-19 registrada na noite de ontem (26) no IntegraSUS mostra taxa de ocupação das Unidades de Terapia Intensiva (UTI) em 91,91%. Em relação aos leitos de enfermaria, a taxa está em 80,24%. Das unidades monitoradas, 12 estão igual ou maior que 100% de ocupação nas UTIs. Nos leitos comuns, este número chega a cinco.

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