Panorama

Imunidade é a melhor prevenção contra síndromes respiratórias e arboviroses

Além de covid e influenza, a população está convivendo com as arboviroses características desta época do ano. Especialistas alertam para a necessidade ainda maior de manter o esquema vacinal completo e atualizado

Vacinação contra a covid e a influenza são necessárias no combate a viroses (Foto: Edimar Soares)

Lara Veras
lara@ootimista.com.br

Diante da movimentação do cenário epidemiológico contra a covid-19, dos registros de casos de influenza e do momento de enfrentar, no Ceará, casos de arboviroses, como dengue, chikungunya e zika, é preciso esclarecer como a população deve prosseguir no avanço do esquema vacinal contra o coronavírus, principalmente com a ampliação do público indicado a procurar a segunda dose de reforço.

A Secretaria de Saúde do Estado (Sesa), seguindo as recomendações do Ministério da Saúde, passou a recomendá-la desde março de 2022 para as pessoas com mais de 80 anos. No mês de abril, a faixa etária foi ampliada para pessoas com 70 anos e idosos institucionalizados com 60 anos ou mais.

Já no mês de maio, o segundo reforço passou a ser recomendado para as pessoas com mais de 60 anos e agora, em junho de 2022, pessoas a partir de 50 anos e trabalhadores da saúde passaram a receber a imunização desta etapa. Ainda neste mês, o Ministério da Saúde recomendou a segunda dose de reforço para pessoas com 40 anos de idade ou mais, que receberam a terceira dose há pelo menos quatro meses, e Fortaleza começou a aplicá-la nesta segunda-feira (20).

Pessoas com covid-19 só devem receber o imunizante 30 dias após o início dos sintomas ou do resultado positivo em casos de assintomáticos. Em casos negativos para o coronavírus, mas com quadro de síndrome gripal, o recebimento da vacina deve ocorrer após 48 horas do desaparecimento dos sintomas.

A aplicação da vacinação em crianças que estão positivadas com covid-19 segue a mesma recomendação do público adulto, conforme a Sociedade Brasileira de Imunização (SBIm).

Jovens devem atualizar cartão, alerta infectologista
Com relação às arboviroses, a recomendação atual é diferente e o infectologista do Hospital São José, Lauro Perdigão, alerta para que não se deixe de manter o esquema vacinal contra a covid atualizado.

“Para as arboviroses, pedimos para que a vacinação não aconteça durante o período da doença, muito mais por uma questão de confusão, porque se a pessoa tiver uma febre por exemplo, não saberemos se é uma piora da doença ou reação vacinal. Então, é esperar o período de convalescência e ficar bem para receber o imunizante”, aponta Lauro.

Por isso, a importância de buscar um diagnóstico correto. “Se a pessoa está com um quadro clínico de febre, dor no corpo, dor de cabeça, não é hora de se vacinar. É hora de identificar a doença e tão logo passar esse quadro, atualizar o cartão vacinal com as vacinas que estão pendentes, incluindo a da covid-19”, explica o infectologista.

Há ainda, outro alerta, desta vez para os jovens, que estão com baixa cobertura vacinal contra a covid. A procura por esse público está menor e as autoridades de Saúde do Estado pedem que essa faixa etária se esforce para manter a imunização completa.

De acordo com a secretária executiva de Vigilância e Regulação em Saúde da Sesa, Sarah Mendes, “vacinados com a primeira dose de reforço (incluindo o imunizante da Jansen) ou D3, há quatro meses, independente do imunizante utilizado no primeiro reforço devem procurar a segunda dose de reforço. A vacina a ser utilizada deverá ser das plataformas de RNA mensageiro ou vetor viral, sendo elas a Pfizer, Jansen ou Astrazeneca sucessivamente”.

A Sesa explica, ainda, que a distribuição das doses para essa finalidade ocorre gradativamente e depende do envio de lotes de vacinas enviados pelo Ministério da Saúde ao Estado. Portanto, o recomendado é que os municípios iniciem a vacinação do público referido utilizando estoque de vacina na rede municipal.

Compete aos municípios definir as estratégias para o alcance dos grupos elegíveis para a campanha contra a covid-19. No entanto, o Estado recomenda a priorização das faixas etárias por ordem decrescente.

“Temos registrado um aumento de 400% a mais de casos de arboviroses do que ano passado. Chama atenção a incidência de chikungunya, o vírus circulando em muitos municípios e a situação da quadra chuvosa favoreceu a proliferação do aedes aegypti”, esclarece Lauro. Então, a dica de ouro já é conhecida, falta mais adesão da população.

Procurar focos de água parada em casa, onde o mosquito se prolifera (e com facilidade). É hora de reforçar que o combate é à reprodução dele, eliminando estes focos. Além disso, a prevenção passa pelo uso de repelente, manter a pele coberta nos horários em que o mosquito tem mais atividade (manhã e tarde). Com relação à covid-19, também devemos manter as recomendações já aplicadas.

“Nosso momento, agora, é de alerta e de vigilância, tendo em vista o aumento da positividade dos casos de covid. Já aprendemos as medidas, é o uso de máscaras, distanciamento social, higiene de mãos e o isolamento para quem está com sintomas respiratórios. Isso é tudo o que precisamos reforçar”, conclui Lauro.

Vacinação contra a covid-19
Diariamente, a Prefeitura de Fortaleza (PMF) informa, em seu portal, todos os locais de vacinação de acordo com a dose a ser ministrada. O atendimento ocorre mediante a capacidade diária máxima de cada centro de vacinação.

Nos postos de saúde, a vacinação ocorre das 9h às 16h, com intervalo para o almoço das 12h às 13h. Nos demais locais, o horário é das 9h às 17h, de segunda a sexta-feira. A aplicação da nova dose de reforço ocorre sem a necessidade de agendamento prévio, na modalidade de livre demanda, nos locais que estiverem realizando vacinação contra covid-19, conforme a programação diária divulgada.

Conforme os decretos estadual e municipal, é reforçado que o uso obrigatório de máscaras permanece nos equipamentos de saúde, tais como hospitais, policlínicas, clínicas médicas e odontológicas, postos de saúde e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs).

É orientado também o uso de máscaras por idosos, pessoas com comorbidades ou que estejam com sintomas gripais. Nos pontos de vacinação contra covid-19 na capital, a PMF recomenda o uso de máscaras.

QUARTA DOSE
1- Atendimento para imunossuprimidos acima de 18 anos que completaram quatro meses da sua terceira dose:
Centro de Eventos (salão e drive)
Shoppings Central, Iguatemi, RioMar Fortaleza e RioMar Kennedy
Sesi Parangaba

2 – Atendimento para população geral com 40 anos ou mais que completaram quatro meses da sua terceira dose (demanda espontânea):
Centro de Eventos (drive)
Shoppings Central, Iguatemi, RioMar Fortaleza e RioMar Kennedy
Sesi Parangaba
Postos de saúde que possuem sala de vacinação covid-19

3 – Atendimento para trabalhadores da saúde que completaram quatro meses da sua terceira dose (demanda espontânea):
Centro de Eventos (drive)
Shoppings Central, Iguatemi, RioMar Fortaleza e RioMar Kennedy
Sesi Parangaba
Postos de saúde que possuem sala de vacinação covid-19

Atualização das arboviroses
Nesta quinta (23) e sexta-feira (24), acontece o III Seminário de Atualização das Arboviroses do Nordeste, das 8h às 17h, no auditório Murilo Aguiar da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará.

O encontro, promovido pela Secretaria Municipal da Saúde (SMS) promoverá intercâmbio de conhecimentos nas áreas de manejo clínico, diagnóstico e tratamento, vigilância e controle vetorial, pesquisas, inovações tecnológicas, comunicação, educação e mobilização. Além disso, o seminário propõe, também, discutir alternativas que direcionem de maneira mais sustentável o controle da enfermidade, a recuperação dos pacientes e a integração da sociedade.

Durante os dois dias, serão promovidas discussões abordando as temáticas: políticas públicas e sustentabilidade de financiamento para os desafios do controle das arboviroses no Brasil, em tempos pandêmicos e pós-pandêmicos; inovação tecnológica e pesquisas no direcionamento de efetividade para o controle vetorial; aspectos clínicos, diagnóstico e manejo do paciente: as dimensões de uma linha de cuidado focada na atenção integral e na vigilância; a educação como veículo de sustentabilidade do controle das arboviroses; aspectos sociais, epidemiologia, controle e gestão frente ao controle das arboviroses nas capitais do Nordeste.

A titular da SMS, Ana Estela Leite, participará do evento; além do coordenador de Vigilância em Saúde de Fortaleza, Nélio Morais; da presidente do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde no Ceará (Conasems-CE), Sayonara Moura, e outros representantes do poder público e pesquisadores especialistas na área.

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