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Geoparque Araripe recebe 998 fósseis retirados ilegalmente do país

(FOTO: Helano Stuckert / Ministério da Cidadania)

Redação O Otimista
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998 fósseis do período Cretáceo que haviam sido retirados ilegalmente do Geoparque Araripe, no Ceará, retornaram ao local. Foi o maior lote já recuperado pelo país, com peso de cerca de duas toneladas. Os materiais incluem fósseis de peixes, insetos, aves, plantas e até pterossauros (répteis voadores), cujas estimativas apontam para um período entre 145 e 65 milhões de anos. Uma cerimônia realizada na cidade aeroportuária Le Havre, na França, oficializou a devolução dos bens.

Já inventariados, os fósseis devem ser preparados para envio de avião ao Aeroporto de Fortaleza e, na sequência, serão transportados para o Museu de Paleontologia da Universidade Regional do Cariri (URCA)/Geoparque Araripe UGG, no prazo de cerca de 30 dias. A URCA é responsável pela gestão do Geoparque Araripe e do Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, que reúne importante acervo de registros geológicos do período Cretáceo.

A repatriação foi fruto de um intenso trabalho de cooperação iniciado em 2013 entre o Ministério das Relações Exteriores do Brasil e o corpo diplomático francês, com apoio do Ministério Público Federal (MPF) e atuação da Universidade Regional do Cariri para emissão dos laudos técnicos para apurar a venda ilegal dos fósseis pela Internet.

O ministro da Cidadania, Ronaldo Bento, representou o governo brasileiro na cerimônia. “É com grande satisfação que o Governo Brasileiro recebe esses 998 fósseis contrabandeados do Geoparque Araripe. Desde 2013 há um trabalho do nosso corpo diplomático para conseguir a repatriação deste material, que se constitui em um patrimônio cultural e histórico do povo brasileiro e de toda a humanidade”, disse.

O ministro do Turismo, Carlos Brito, destaca a importância do retorno dos fósseis. “Trata-se de uma vitória do povo brasileiro, que pôde reaver bens que contam a sua história, que retratam a história da humanidade. E que agora, no Museu de Paleontologia, poderão ser vistos pela nossa população”, ressalta. “Por meio do Iphan, no Ministério do Turismo temos atuado incansavelmente para a recuperação e valorização dos nossos patrimônios”, completa Brito.

GEOPARQUE ARARIPE – O Geoparque Araripe, localizado na Bacia do Araripe – a maior bacia sedimentar do interior do Nordeste brasileiro – fundado em 2006, foi o primeiro geoparque das Américas a integrar a Rede Global de Geoparques da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), ainda em 2006.

O território do Geoparque Araripe se estende por cerca de 4.000 km2 do Ceará e é limitado pelos estados de Pernambuco e Paraíba. No local, o turista tem à disposição 9 geossítios com relevante patrimônio paleontológicos (com registros de milhões de anos), arqueológico e histórico cultural distribuídos em seis municípios do sul do Ceará: Batateiras (Crato), Pedra Cariri e Ponte de Pedra (Nova Olinda), Parque dos Pterossauros e Pontal de Santa Cruz (Santana do Cariri), Cachoeira de Missão Velha e Floresta Petrificada (Missão Velha), Riacho do Meio (Barbalha) e Colina do Horto (Juazeiro do Norte).

Além do Geoparque Araripe, ao longo de seus 15 anos e quatro reavaliações da UNESCO, neste ano, com apoio do Ministério do Turismo, outros dois territórios brasileiros passaram a integrar a seleta lista da Unesco: o Geoparque Seridó, que abrange seis municípios do Rio Grande do Norte, e o Caminhos dos Cânions do Sul, entre os estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. No mundo, há 177 geoparques titulados pela Unesco em 46 países.

ORIENTAÇÕES – No último mês, o MTur lançou o Manual de Desenvolvimento de Produtos Turísticos de Geoparques no Brasil. A publicação busca fomentar projetos de geoparques em diferentes estágios e contribuir para a criação de mecanismos de turismo sustentável, com reflexos na geração de emprego e renda. (Saiba mais AQUI)

Para se instituir como geoparque, é necessário que uma região tenha atributos geológicos, paleontológicos, arqueológicos e naturais de relevância internacional, aliados a ações de proteção, educação e desenvolvimento sustentável. A implantação deve contemplar o turismo, desenvolver a economia local e modificar a realidade socioeconômica dos habitantes da região.

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