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Fortaleza passa a concentrar 59% dos casos de covid -19 do Estado

Em 30 dias, aumento fora da Capital foi de cerca de 13%. Caucaia passa de mil contaminações. Dos municípios fora da RMF, Sobral é o que soma mais pessoas diagnosticadas com a doença

Danielber Noronha
danielber@ootimista.com.br

Hospital Regional do Cariri atende cidades como Juazeiro do Norte, Crato e Barbalha. Foto: divulgação

O número de casos confirmados da covid-19 avançou cerca de 13,% na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), à exceção da Capital, e no Interior do Estado, juntos, em 30 dias. Dados do IntegraSUS mostram que até 20 de abril aproximadamente 28% das confirmações estavam fora de Fortaleza. Um mês depois, a soma passou a representar 41% do total de confirmações em todo o Ceará, segundo informações de ontem (20) da plataforma.

Epidemiologista e pós-doutora em Saúde Pública, Thereza Magalhães aponta que, considerando que pesquisas ainda mostram alta taxa de transmissibilidade no Brasil, o aumento ainda está ocorrendo em velocidade baixa. “A perspectiva de chegada da doença no Interior não é como na Capital. A situação não precisa se agravar mais para saber que já estamos numa situação mais complicada. Os municípios não têm os mesmos recursos e a distribuição de leitos é desigual”, define Lígia Kerr, epidemiologista.

A dinâmica de interiorização da epidemia se reflete diretamente na quantidade de casos registrados em municípios mais próximos da Capital cearense, epicentro da doença no Estado, defende Thereza.

Os números a seguir foram extraídos de levantamento da Sesa divulgado no início da tarde de ontem. Caucaia apresenta maior índice registrado na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), com mais de mil casos. Outras quatro cidades da RMF estão entre as dez de maior incidência: Maracanaú (672); Eusébio (474); São Gonçalo do Amarante (343); Pacatuba (275). Sobral é a cidade fora deste perímetro com registro mais elevado, totalizando 837 casos. Itapipoca, Quixadá e Acaraú aparecem na sequência, com 531, 281 e 273, respectivamente.

Thereza explica que os números poderiam ser maiores sem as medidas mais restritas de isolamento. “Estamos no estágio de transmissão comunitária, o que significa que tem como saber origem dos novos casos”.

Leitos
Até ontem, a taxa de ocupação de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) era de 68,34% no Interior do Estado. Nas enfermarias, a taxa marcou 46,21%.
Terceira em número de casos, Sobral tem 120% do total de leitos preenchidos. Quixeramobim aparece na sequência, com ocupação geral de 70,94%, seguida por Tianguá, com 66,67%. “É um cenário preocupante, pois a maioria das cidades do Interior não têm estrutura suficiente para atender grande número de casos da covid-19, principalmente casos em estado grave”, destaca Thereza.
Lígia afirma que a logística pode dificultar atendimento. “Embora alguns lugares tenham mais leitos, existe o transporte dos pacientes e outros recursos. Diante dos sintomas respiratórios, o paciente precisa de atendimento rápido”, pontua.

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