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Famílias optam por seguir com protocolos para se resguardar da covid

Receando infecção pela nova variante do novo coronavírus, reuniões menores e cuidados com higiene são privilegiados para manter festas de final de ano mais seguras. Famílias contam como estão se preparando

Lucas Braga
panorama@ootimista.com.br

Daniely Reis ainda opta por não reunir todos os familiares e prefere videochamadas (Foto: Edimar Soares)

Mesmo com decreto estadual que autoriza a realização de eventos com até cinco mil pessoas em ambientes abertos e 2,5 mil pessoas em locais fechados no fim deste mês, muitas famílias ainda optam por planejar ceias modestas, pequenas reuniões e manutenção dos hábitos de prevenção ao coronavírus.

No segundo Réveillon da pandemia, grandes cidades brasileiras como Fortaleza descartaram a realização de festas públicas na virada, as quais, historicamente, reuniam milhões de pessoas. “Em anos anteriores, íamos para o Réveillon da Paz, do Shalom, com uma multidão de pessoas. No Natal, a tradição da minha família sempre foi de reunir parentes para jantar, brincar e celebrar”, lembra Daniely Reis, 29.

Mais uma vez, os encontros ficaram diferentes para evitar aglomerações. “Em 2019, fomos para um sítio com familiares e amigos, cerca de 45 pessoas. Não é um grande número, mas, para uma confraternização em pandemia, é inviável.”

A assistente social conta que, por enquanto, mesmo com o relaxamento da regras de distanciamento, a opção tem sido se reunir por videochamada, assistindo celebrações religiosas por transmissões ao vivo, e até fazer sorteios, bingo e amigo secreto remotamente. Assim como a família de Daniely, muitos têm dúvida quanto ao risco de se expor em restaurantes e grandes eventos privados.

Mais um ano com cautela
As autoridades continuam orientando que eventos em espaços abertos e arejados sejam priorizados, em vez de aglomerações em ambientes fechados. Com menor risco, continuam sendo as reuniões entre pessoas que já convivem na mesma casa. O uso de máscara quando não se estiver comendo ou bebendo continua sendo recomendado a todos, especialmente a idosos e imunossuprimidos.

Mesmo com a família vacinada, o assistente comercial Marcellus Nascimento, 25, também prefere passar o Natal em casa, com os pais. “Em alguns anos, viajávamos de Fortaleza para Tauá. No Ano Novo, rolava alguma comemoração com pelo menos 20 pessoas.” Os planos mudaram, e as notícias sobre a variante africana (ômicron) do coronavírus também são preocupantes e desestimularam possíveis planos de viagem.

Também atenta aos desdobramentos da pandemia, a família de Valderina Pinheiro do Nascimento, 50, é mais uma que prefere ir na contramão das aglomerações. Hipertensa e diabética, a professora é parte do grupo de maior risco à covid-19 e contraiu a doença em abril, ficando com sequelas nos rins e fígado. “Por isso, estou me resguardando mais ainda e mantendo as festividades ainda isolada com meu filho”, detalha.

Antes, a docente costumava reunir em torno de 17 pessoas nas festividades de fim de ano, mas agora também aposta nas videochamadas. “Até tinha pensado em passar uns dias no Interior, com minha mãe, mas, com as notícias dessa nova variante, a gente fica mais assustada. Perdi um tio em março e outro tio em julho, para a covid. Para nós, está sendo muito doloroso ainda, e há poucos motivos para comemorar. Simplesmente, é um momento religioso”, acrescenta Valderina, criticando quem se descuida após receber a vacina.

Dúvida e prudência
Ainda há incógnitas sobre a nova cepa, inclusive sobre o potencial de propagação, resistência às vacinas e diferenças entre os sintomas, quando comparada a outras formas do vírus. Na África, o número de casos oficiais de covid-19 aumentou 54% entre os dias 23 e 30 do mês passado, em comparação ao mesmo período do ano anterior, devido ao aumento exponencial de infecções na África do Sul.

Cientistas do continente africano “estão intensificando as pesquisas para compreender transmissibilidade, gravidade e impacto da ômicron em relação às vacinas, diagnósticos e tratamentos disponíveis e se ela é responsável pelo mais recente surto de infecções de covid-19”, comunicou a Organização Mundial da Saúde (OMS).

No Ceará, a manutenção de cuidados é defendida para se evitar aumento do número de casos, afinal 35% da população do Estado não completou o esquema vacinal, conforme dados da Secretaria da Saúde (Sesa). “Precisamos ter muita prudência, muita responsabilidade para garantir que não haja um aumento de casos. A grande forma de garantir que não haja esse avanço é vacinando toda a população, e esse tem sido o nosso esforço todos os dias”, destacou o governador Camilo Santana em reunião com o Ministério da Saúde, esta semana.

No Brasil, secretarias estaduais, Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) e outras entidades de saúde como a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) lançaram cartilhas ou guias sobre como comportar-se nos eventos de final de ano e nas férias. “Não é desejável juntar núcleos de famílias diferentes […] sabemos que, no final do ano, as pessoas gostam de confraternizar. Então, a ideia é diminuir os riscos e minimizar as chances de transmissão”, diz o material da SBI, que reforça: “não é possível realizar uma reunião familiar ou com amigos 100% segura, mas há como diminuir os riscos.”

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