Panorama

Setor privado diz que processo para compra da vacina indiana “está bem encaminhado”

A Bharat Biotech, fabricante da Covaxin, deve pedir o registro na Anvisa no próximo mês

Covaxin (Foto: Divulgação)

O processo para a compra de 5 milhões de doses da vacina indiana Covaxin pelas clínicas privadas brasileiras está “muito bem encaminhado” e a aquisição será feita assim que sair registro definitivo do imunizante no Brasil. A Bharat Biotech, fabricante da Covaxin, deve pedir o registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no próximo mês.

A informação é do presidente da Associação Brasileira das Clínicas de Vacina (ABCVAC), Geraldo Barbosa, que integrou a comitiva que visitou as instalações da empresa na Índia, na semana passada. A negociação do setor privado para vacinação tem despertado polêmica. Especialistas em saúde pública dizem que, por se tratar de uma vacina ainda pouco disponível no mundo, a oferta no setor privado pode criar uma disputa com o SUS, aumentando as desigualdades e atrasando a imunização dos grupos prioritários.

Já as clínicas privadas argumentam que o objetivo não é competir, mas, sim, complementar a oferta prevista no SUS, atendendo, por exemplo, empresas que querem oferecer a vacina a empregados que não estão hoje nos grupos prioritários previstos pelo Plano Nacional de Imunização. Segundo Barbosa, o que for adquirido pelas clínicas privadas não irá interferir nas negociações com o SUS. “Se essas vacinas não vierem para o mercado privado brasileiro, não virão nem para o Brasil. Vão para outro país”, reforça.

O Ministério da Saúde já disse que clínicas particulares devem seguir a ordem dos grupos prioritários, como consta no plano nacional de imunização. A Bharat Biotech é uma das empresas que constam na carta de intenções do Ministério da Saúde, divulgada no dia 16 de dezembro, mas não há, até o momento, nenhum contrato formal para compra de doses pelo governo federal. A vacina indiana foi aprovada no último dia 3 pelas autoridades indianas, mas ainda está na fase três de testes e não teve a eficácia divulgada.

Segundo Barbosa, a aquisição da vacina pelo setor privado depende do fim dos trâmites legais junto aos órgãos reguladores brasileiros, fabricante e distribuidora/importadora. O executivo e a equipe da representante da Bharat Brasil foram recebidos nos dias 7 e 8 de janeiro no Genome Valley, distrito industrial de alta tecnologia e inovação em Hyderabad, na Índia.

Barbosa afirma que fez uma apresentação à diretoria da fabricante sobre o potencial do mercado brasileiro e sobre a necessidade de vacinar o contingente da população que está ativo no mercado de trabalho. “Há uma resposta positiva do mercado corporativo que têm procurado a ABCVAC e as clínicas, para subsidiar a imunização de seus colaboradores.”

A Covaxin é desenvolvida em colaboração com o Conselho Indiano de Pesquisa Médica (ICMR) e o Instituto Nacional de Virologia (NIV). Conforme divulgado pela Bharat Biotech, os ensaios clínicos de fase 3 da Covaxin começaram em meados de novembro e envolvem 26 mil voluntários em toda a Índia. Nas fases 1 e 2, ela foi avaliada em cerca de mil indivíduos. (FolhaPress)

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