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Cearense desenvolve projeto para ajudar pessoas que tiveram AVC

Validação de estudo do pesquisador da Fiocruz Ceará com pacientes do HGF está prevista para ocorrer a partir de 2021. Se aprovado, projeto deve descongestionar sistema público de saúde

Danielber Noronha
danielber@ootimista.com.br

Pesquisa vai ocorrer com 100 pacientes do HGF (Foto: Edimar Soares)

O projeto do pesquisador cearense Cassio Pinheiro foi um dos 28 aprovados no Programa Centelha, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI).

Analista de sistemas e doutorando em Ciências, Biotecnologia e Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Campus Ceará, Pinheiro está desenvolvendo software aplicado à realidade virtual, com objetivo de ajudar pacientes em reabilitação pós-Acidente Vascular Cerebral (AVC).

A pesquisa terá até R$ 80 mil para aplicar estudos na prática, que, segundo o acadêmico, têm previsão de início para janeiro de 2021. A validação será feita com cerca de 100 pacientes do Hospital Geral de Fortaleza (HGF), unidade referência do Estado no tratamento de pacientes com AVC. Até maio de 2020, de acordo com a Secretaria da Saúde (Sesa), foram registrados 1.457 óbitos por AVC no Ceará.

O software em questão busca aumentar a neuroplasticidade do paciente, com foco em prover ganhos mais efetivos no processo de neuroreabilitação, propondo o aperfeiçoamento da terapia por espelho, uma das principais técnicas utilizadas no tratamento de pessoas com AVC.

“O método funciona da seguinte maneira: se o paciente perde os movimentos da mão direita, é colocado um espelho para que os movimentos da mão esquerda sejam refletidos e ele passe a acreditar que está movimentando a mão adormecida”, explica. Entretanto, segundo o pesquisador, a técnica apresenta limitações, a exemplo da borda do espelho e a própria percepção do paciente em saber que está ocorrendo uma simulação.

Imersão no processo
A alternativa sugerida pela pesquisa é utilizar tecnologia de realidade virtual para que o paciente possa imergir de forma significativa no processo e potencializar a percepção do cérebro sobre a existência de um membro sadio no lugar do parético. “Vamos usar óculos de realidade virtual e um sensor chamado Leap Motion, que capta movimentos dos dedos.”

O trabalho, relata o pesquisador, é possível graças à capacidade dos neurônios humanos de assumir responsabilidade pela execução de alguma função comprometida, criando novos neurônios para dar vazão àquela atividade. “Os dados coletados pelo sensor serão armazenados em um banco de dados que irá quantificar o nível de melhora do paciente no decorrer do tratamento”, projeta.

A expectativa de Pinheiro, após validação dos testes em campo, é fazer com que o tratamento possa ser realizado em casa. Segundo o pesquisador, a possibilidade de conduzir processos no ambiente domiciliar aumenta a eficiência do tratamento e ajuda a descongestionar o sistema público de saúde. “Pensando nas pessoas do Interior do Estado que não têm condições de ir até uma unidade de saúde ou se deslocar para Fortaleza, o tratamento em casa é a melhor alternativa”, reforça.

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