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Bio-Manguinhos CE terá obras iniciadas no 2º semestre, prevê cronograma da Fiocruz

Com planejamento de fluxo dentro do esperado, instituição projeta para este semestre finalização da planta executiva. Centro produzirá vacinas contra a covid-19. Brasil receberá 2 milhões de doses de imunizante hoje, conforme Ministério

Danielber Noronha
danielber@ootimista.com.br

Equipamento fará parte do complexo da Fiocruz Ceará, no Eusébio, localizado na RMF (Foto: Kleber Gonçalves)

Primeira fábrica da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) fora do Rio de Janeiro, a sede do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos) prevista para ser instalada no Ceará segue cronograma de obras e deve ter construção iniciada ainda em 2021, conforme projeta sede local da instituição.

Quando finalizada, a unidade poderá ser utilizada na replicação do ingrediente farmacêutico ativo (IFA) da vacina Oxford/AstraZeneca. Procurada pela reportagem, a Fiocruz Ceará informou que a planta executiva do empreendimento deve ser finalizada em julho deste ano. Na sequência, será dado start ao processo de licitação para início da obra, que tem previsão para começar a ser executada no segundo semestre, sem data definida.

Conforme a assessoria de imprensa da Fiocruz, ainda não há período estipulado de duração da construção. O novo espaço irá funcionar no Eusébio, Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). Além da fábrica, o Ceará conta com uma Unidade de Apoio ao Diagnóstico da Covid-19, experiência que foi iniciada pela Fiocruz no Rio de Janeiro e, assim como a Bio-Manguinhos, replicada no Ceará. A unidade tem a capacidade de processar diariamente até dez mil testes moleculares.

Transferência de ciência
Ontem (22), a Fiocruz afirmou que deve assinar, no próximo mês, acordo com a AstraZeneca para detalhar como será feita a transferência de tecnologia do princípio ativo da vacina Oxford no Bio-Manguinhos do Rio. A falta de IFA no Brasil é, segundo especialistas, um dos motivos para a lentidão no processo de obtenção de novas doses de imunobiológicos e, consequentemente, na vacinação da população brasileira em larga escala.

O acordo de encomenda tecnológica entre a Fiocruz e a AstraZeneca prevê que, até julho deste ano, 100,4 milhões de doses sejam produzidas a partir de IFA importado. Com o acordo, a Fiocruz incorporou a tecnologia necessária para formular a vacina utilizando IFA importado e iniciou a produção das doses.

“A planta industrial de Bio-Manguinhos/Fiocruz já está sendo adaptada para essa produção e a previsão é de que esteja pronta em abril para a produção nacional do IFA”, afirma a fundação. O acordo também prevê parâmetros gerais para a transferência de tecnologia, que precisam ser detalhados no contrato a ser assinado. A Fiocruz trabalha na preparação de uma estrutura necessária para iniciar a produção do IFA nacional. O estimado é que a instituição seja capaz de produzir pelo menos 110 milhões de doses no segundo semestre de 2021.

Entrega ao Ministério
Por meio de nota, a Fiocruz reforçou que, nesta terça-feira (23), duas milhões de vacinas prontas do Instituto Serum, na Índia, devem chegar ao Brasil. A iniciativa, explica, é parte da estratégia paralela à produção de vacinas a partir da chegada do IFA, com o objetivo de contribuir com o fornecimento de vacinas para o Programa Nacional de Imunizações (PNI).

Para o próximo dia 27, está prevista a chegada de mais dois lotes de IFA, com o equivalente de insumo para produção de cerca de 12 milhões de doses da vacina. Com as novas doses e remessas do princípio ativo, a Fiocruz prevê entregar 15 milhões de doses da vacina Oxford/AstraZeneca ao Ministério da Saúde até o fim do próximo mês.

Também a partir desta terça, o Instituto Butantan, responsável pela replicação da Coronavac, produzida pela farmacêutica Sinovac, enviará ao PNI 3,4 milhões de doses ao longo de oito dias – 426 mil doses por dia, em média. Essas doses compõem o total de 17,3 milhões de doses que estão hoje em processamento e fazem parte do total de 46 milhões de doses contratadas pelo Ministério em janeiro. A expectativa, conforme o Instituto, é de que a produção aumente a partir de abril, quando será possível utilizar a fábrica atualmente dedicada à fabricação da vacina contra a gripe.

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