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Amor e empatia para reorganizar a rotina durante o lockdown

Relatos mostram que o isolamento social rígido promove um chamamento a pensar no bem-estar do outro, na manutenção das relações afetivas, no cuidado dos mais frágeis e na saúde como forma de superar adversidades

Danielber Noronha
danielber@ootimista.com.br

Foto: Beatriz Bley

Este é o primeiro fim de semana no qual Fortaleza vivencia um novo lockdown em menos de um ano. O momento requer cautela para evitar novas contaminações pelo coronavírus, mas também chama atenção para a necessidade de adaptações em vários âmbitos do cotidiano, com o intuito de preservar vidas e manter as relações familiares, afetivas, laborais e de cuidados com o corpo, dentro das possibilidades impostas pelo isolamento social rígido. Quase doze meses após a confirmação do primeiro caso de covid-19, moradores de Fortaleza contam como estão usando experiências adquiridas já durante a pandemia para superar desafios.

Projetar o futuro
Juntos há pouco mais de dois anos, o casal Salomão Albuquerque, 21, e Larissa Câmara, 22, escolheu uma forma diferente de enxergar o lockdown, momento que irão passar separados: pensar em quais surpresas o futuro reserva aos dois. A tarefa, entretanto, não é inédita e já foi utilizada durante o período de restrição de mobilidade no ano passado e também quando Larissa está imersa nos estudos. Estudante de Medicina, a jovem conta que costuma ficar ausente quanto está em avaliações acadêmicas, o que os fez entrar em consenso, elencando prioridades.

“Imaginamos que esse esforço é válido para que, no futuro, possamos ficar mais tempo juntos. Isto vale para as viagens que queremos fazer e também para o isolamento”, explica o instrutor de Muay Thai. A universitária acredita que a distância não será um problema e que as redes sociais serão, mais uma vez, aliadas diante do afastamento necessário.

“O mais importante é tentar se ver e conversar mesmo a distância. Então, vamos fazer chamadas de vídeo”, acrescenta. Larissa conta que está buscando meios de aumentar a interação com o parceiro por meio de plataformas onde é possível assistir a filmes on-line comentando em tempo real.

Amar com responsabilidade
Aos 84 anos, Socorro Diógenes também enfrenta o desafio do lockdown, apesar de não entender bem do que se trata. Para a idosa, o isolamento não significa deixar de ir para academia ou barzinhos, mas, sim, ficar longe da família. A filha, Ana Márcia Diógenes, 57, já está se preparando para dar suporte à mãe durante o isolamento social rígido.

Apesar de morar com um dos filhos e uma cuidadora, relata Ana Márcia, a mãe sente falta do contato próximo e dos programas tranquilos, como olhar os carros passarem na rua ao lado da filha. “Estou me programando para ir lá duas vezes por semana, de longe, mantendo o cuidado, e também falar com ela ao telefone duas vezes por dia”, detalha.

A professora universitária e também jornalista relata que Dona Socorro tomou apenas a primeira dose da vacina, o que acende uma alerta para a necessidade de redobrar os cuidados. “Tem o receio pela doença estar mais forte entre pessoas mais jovens e sabemos que fica mais difícil cuidar dela se pegarmos algo”, justifica. A experiência com
o lockdown anterior, traz um pouco de alento. As compras de supermercado estão sendo feitas uma vez por semana e as de farmácia cerca de uma vez ao mês.

Home office produtivo
Sair da rotina presencial e migrar para o home office é um dos desafios enfrentados pelas empresas, mas que, segundo a administradora Natália Kélvia Lima, 36, deve ser mais fácil de conduzir que no ano passado. “No ano passado, estávamos fechando sem saber como iria funcionar a dinâmica ou se os clientes iriam continuar interessados no nosso trabalho”, diferencia.

Conforme a gestora, o conhecimento das ferramentas tecnológicas adquiridas em 2020 também será fundamental. “Em 2020, como não podíamos ir a alguns municípios, as reuniões tiveram que ser on-line. Hoje é um modelo que funciona e conseguimos suprir todas as necessidades”, ressalta.

Entretanto, aponta, existem alguns desafios que precisam ser superados. “Nem todo mundo tem consciência de que precisa adotar processos para trabalhar em casa e também falta o entendimento de que é preciso ficar em casa por conta da doença”, explica. Para da um choque de ânimo nos funcionários, destaca, irá utilizar mensagens motivacionais e pequenos mimos entregues em domicílio, herança também deixada do último lockdown.

“Também vamos repetir a ideia de fazer vídeos com um colaborador que é instrutor físico, com dicas de exercícios e alongamentos para melhorar a dinâmica de trabalho.”

Cuidar do corpo
Para o instrutor de muay thai e boxe Reinaldo Agostinho, o lockdown vai além dos cuidados para não contrair a covid-19. Aos 20 anos, o profissional tem uma longa rotina de treinos que precisou adentrar ao contexto domiciliar. “O principal desafio é a falta de um parceiro de treino. A falta de um orientador para apontar os erros durante o treino também dificulta”, destaca. O que dá para fazer em casa, segundo o jovem, são apenas exercícios para manter o físico, treinando algumas técnicas com sombra (treino de movimentação solo).

No contexto de casa, Agostinho separa apenas cerca de 45 minutos a 1 hora para treinar. O instrutor destaca também a importância de manter uma dieta para tentar mitigar possíveis alterações drásticas de peso e ainda realizar alguns treinos aeróbicos, como a possibilidade de pular cordas. Os conselhos também são repassados aos alunos, que ganham apenas acompanhamento virtual durante o lockdown. “É preciso tirar um tempo do dia para fazer alguns exercícios simples, similares ao que é feito no treino”, reforça.

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