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A Fortaleza que abraça e se torna cenário de recomeços

Na medida em que se expande para se tornar uma cidade cada vez mais robusta, a Capital recebe pessoas de vários cantos do mundo para sediar novas narrativas. Nicolás Leiva e Gabriel Dantas chegaram à Cidade motivados pelo amor de seus parceiros. Já para a aposentada Ana Maria Roveda, o coração falou mais alto ao lembrar da filha e do neto

Danielber Noronha
danielber@ootimista.com.br

Para conhecer a sua, hoje, esposa, Nicolás Leiva veio do Chile. Do outrora namoro, uma família com três filhos em meio à natureza na Capital (Fotos: Edimar Soares)

Construída sobre a Terra do Luz, Fortaleza é a quinta maior cidade do Brasil e a capital brasileira mais próxima da Europa, estando ainda a 5.566 km de Miami, nos Estados Unidos. Tal posição tornou-a um dos principais pontos de entrada e saída do País para os demais continentes.

Privilegiada, a Cidade é banhada por praias paradisíacas, totalizando extensão litorânea de 34 quilômetros, dispostas em 15 praias. Com estimativa populacional mais recente de 2.686.612 pessoas, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE), o Município alcançou Produto Interno Bruto (PIB) de 61,57 bilhões em 2017. Dentre outros aspectos, este arranjo de características ajuda a transformar Fortaleza no roteiro ideal para construir novas perspectivas de futuro, realizar sonhos e buscar maior qualidade de vida.

O chileno Nicolás Leiva, 35, é um dos que decidiram fazer da capital cearense um local de recomeços. Depois de viajar por diversos países, enquanto passava temporada no Chile, o fotógrafo conheceu a cearense Juliana Vieira. Os dois começaram a namorar, e ela o convidou para morar em Fortaleza.

“Minha história é meio batida: o clássico do gringo que veio embora por ter se apaixonado por alguém daqui”, conta. Até então, Fortaleza era desconhecida por ele. O que chamou atenção, relembra, foram as praias e o clima quente, principal aspecto que, segundo o fotógrafo, se diferencia do Chile. Para se adaptar à nova vida, relata, evitou comparações e se dispôs a ter novas experiências em terras cearenses.

“Se você visita um local e quer morar nele, não adianta comparar com o seu país. Acaba sendo uma forma de bloqueio e deixamos de desfrutar e absorver tudo o que o país e a cultura do lugar têm a oferecer”, ressalta.

A estratégia, conforme Leiva, foi positiva. O chileno já mora em Fortaleza há 11 anos e mudou radicalmente o estilo de vida: passou de aventureiro e andarilho à pai de família. A receptividade dos fortalezenses é um dos pontos que o fizeram se sentir disposto a trocar o Brasil pelo Chile. “As pessoas fazem você se sentir como se estivesse em casa, e ainda tem um pôr do sol que traz experiências incríveis”, define.

O fortalezense de coração fala com felicidade da trajetória que tem construído na carreira profissional. “Fortaleza, assim como o Brasil, tem uma aceitação muito grande a novas ideias e projetos. Isto permitiu que eu me reinventasse na profissão, diferente do Chile, bem mais fechado neste sentido”, compara.

Vida na natureza
O namoro com Juliana, por sua vez, se transformou em casamento e veio acompanhado de três filhos: Lia, Amanda e Matías. Com a expansão da família, o fotógrafo decidiu deixar o Joaquim Távora e se mudou há cerca de um ano para um sítio no bairro Lagoa Redonda. Formado para atuar como guia turístico de aventura e carregado com histórias entrelaçadas com áreas verdes, Leiva decidiu que os filhos devessem ter a mesma experiência logo na infância.

“A forma como a gente vive é como se fosse um oásis dentro de Fortaleza, principalmente quando chove, pois fica bem parecido com Guaramiranga. Aparecem muito animais, inclusive, meus filhos adoram alimentar os soins que surgem”, detalha. O convívio tão próximo com a natureza, relata, foi sido um dos principais aliados da família durante o período de isolamento social mais restrito. “Nos últimos anos, aprendi que a nossa casa precisa ser um ponto de conforto e aconchego para nós”, completa.

Gabriel Dantas veio para Fortaleza por conta dos afetos e planeja ficar para, entre outras coisas, fazer doutorado

Explorar a cidade
Ainda não completou dez meses que Gabriel Dantas, 29, chegou a Fortaleza. Apesar do tempo relativamente pequeno, o terapeuta ocupacional já conseguiu explorar vários caminhos na Capital e pretende continuar. “A pandemia acaba nos afastando um pouco da cidade, mas já havia visitado Fortaleza outras quatro vezes antes de morar e sei que é uma cidade viva e aquecida”, define.

Natural de Brasília, Dantas morava há seis anos em São Paulo, quando decidiu se mudar para Fortaleza, no início do mês de março. O motivo foi o trabalho do marido, Francis Wilker, professor universitário na Capital. “Conheci o Francis em um samba de Brasília, começamos a namorar e casamos no dia 1º de fevereiro de 2020”, resgata.

Um dos lugares que mais gostou de visitar até agora foi o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, além das demais belezas do Ceará, que não se restringem apenas à Capital. “Conheci um cachoeira no alto da Serra de Guaramiranga, que é um lugar lindo.” De volta à Fortaleza, a praia também se tornou um de seus lugares favoritos. “Era algo que não tinha muito contato, mas, agora, já não vivo sem. É muito energizante e traz boas sensações”, destaca.

Além de desbravar Fortaleza ao longo dos próximos meses, Dantas pretende buscar especializações na área, se aperfeiçoar e seguir usando a Cidade como lar. “Pretendo fazer doutorado e criar mais raízes aqui”, completa.

Ana Maria Roveda é uma lição de desprendimento: vendeu pertences em menos de um mês para vir morar na Cidade, pertinho da filha e do neto

Melhor idade para amar e se reinventar
Menos de um mês foi o tempo que Ana Maria Roveda, 64, precisou para dar um giro de 360º na vida. Natural de Minas Gerais, a pedagoga aposentada morou grande parte da vida em Vitória, no Espírito Santo, até se mudar para o município de Guarapari, no mesmo estado.

Divorciada há mais de 20 anos, Ana Maria estava há morando sozinho há pouco mais de um ano, quando decidiu se mudar para Fortaleza. “Meu filho mais velho foi para Miami. Com a pandemia, passei a me sentir muito sozinha. Foi aí que a minha filha fez o convite para que viesse morar em Fortaleza.”

Amanda Roveda convidou a mãe no dia 15 de junho. No dia 1º do mês seguinte, Ana Maria já havia vendido todos os móveis e estava de malas prontas, deixando para trás a vida pacata na cidade interiorana. “Minha vida se resumiu a cinco malas e o meu cachorro Billy.”

A mudança, relata, faz parte de um novo estilo de vida que pretende adotar. “Decidi que quero uma vida mais simples, casas menores e tudo que seja fácil de cuidar. A gente vai envelhecendo e vê que não tem tanta necessidade disso”, expõe.

O que para muitos seria uma decisão difícil, para a pedagoga se tornou fácil quando colocou na balança o peso da família. “O tempo estava passando e eu, ficando longe das pessoas que amo”, endossa. Agora, Ana Maria mora no mesmo quarteirão da filha, na Aldeota, e está mais próxima também do neto, o pequeno Bernardo, de 3 anos. “Aqui, me sinto útil, cuido dele, vou buscá-lo na escola quando precisa. Tem sido muito gratificante. Ele é a alegria da minha vida.”

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