Opinião

Tasso não deve ser candidato a presidente. O PSDB está fadado a repetir o insucesso de 2018 – Edison Silva

Os ex-governadores tucanos Jereissati (CE) e Alckmin (SP) (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil)

O PSDB nacional, mesmo dividido, escolheu o dia 21 de novembro vindouro para realizar as prévias da escolha do seu candidato à Presidência da República. O senador Tasso Jereissati é um dos nomes relacionados para a escolha dos tucanos com direito a voto no evento (os outros são os governadores de São Paulo, João Dória; o do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, e o ex-prefeito de Manaus, Arthur Virgílio). O senador cearense parece ser, dentre os apontados, o que menos tem trabalhado para ser o escolhido à sucessão do presidente Jair Bolsonaro.

Tasso, em entrevistas recentes, disse não ser parte do seu projeto disputar o cargo de presidente da República, mas defendeu a necessidade de entendimento para um ou mais blocos de centro apresentarem opções aos grupos antagonistas de direita e esquerda radicais, representados por Bolsonaro e Lula.  No PSDB, o senador cearense é o principal nome para fazer frente ao governador de São Paulo, rejeitado por alguns filiados, inclusive por aqueles que advogam a tese de o partido não ter nome próprio concorrendo ao cargo de presidente. A recente manifestação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso favorável a Tasso, deu mais força aos adversários de Dória.

As eleições de 2018 deixaram o PSDB bem menor. A candidatura de Geraldo Alckmin conseguiu apenas 4,76% da votação nacional. Foi o quarto colocado na disputa ficando com menos da metade dos votos conquistados pelo terceiro colocado no primeiro turno do pleito, o cearense Ciro Gomes que obteve 12,47% da votação apurada, ou o total de 13.344.371 sufrágios. O pífio resultado alcançado por Alckmin, obviamente, refletiu no insucesso eleitoral dos tucanos nos estados, começando pelo Ceará, e sobremodo na composição da bancada do partido na Câmara dos Deputados, deixando-a reduzida a praticamente a metade daquela eleita em 2014. Da última eleição nacional até agora nada aconteceu para o partido gerar a expectativa alvissareira para 2022.

E atentemos para o fato de o PSDB, em 2018, ter lançado a candidatura de Alckmin apoiada por 8 outras agremiações: PTB, PP, PR, DEM, Solidariedade, PPS, PRB e PSD. Destas, pelos seus posicionamentos atuais, no máximo, duas ainda poderiam aliar-se nacionalmente ao PSDB em 2022. Tasso conhece perfeitamente essa realidade. Também sabe quão pragmáticos são os dirigentes de muitas das nossas agremiações. Hoje, o PSDB não reúne as condições necessárias para agregar os que defendem um candidato capaz de enfrentar a polarização entre os extremistas de direita e de esquerda.

Dos nomes tucanos postos para a disputa presidencial, indiscutivelmente o do Tasso é o melhor para o Brasil, com todo o respeito que se deva ter ao governador do Rio Grande do Sul, ainda pouco conhecido dos brasileiros nos campos da política e da administração.  Mas o senador não deve caminhar para o fim da sua brilhante carreira política, após destacadas atuações no Governo do Estado do Ceará, nascidas em 1986, e posteriormente no Senado, até o momento, participando de uma disputa sem um amplo respaldo partidário, muito difícil de ser liderado pelo seu PSDB, hoje pequeno e sem as lideranças que reunia no passado.

O governador paulista João Dória é pré-candidato (Foto: Valter Campanato/ Agência Brasil)

O PSDB, insistindo em ter candidato próprio à Presidência da República, vai sair menor ainda da campanha. O partido nasceu e envelheceu em São Paulo com os mesmos candidatos a presidente (José Serra e Alckmin) depois de Fernando Henrique Cardoso, ainda hoje o seu principal líder. O mineiro Aécio Neves até que se houve bem, em 2014, quando perdeu para a ex-presidente Dilma, mas as descobertas do depois da eleição envergonharam a alguns tucanos. Agora, depois das dificuldades internas causadas por Dória, governador de São Paulo, fica difícil querer renascer com um filiado fora do seu nascedouro.

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