Opinião

Tasso faz oposição a Doria nas prévias do PSDB. Ele está com Eduardo Leite – Edison Silva

Em 2018, com 33 anos de idade, governador do Rio Grande do Sul foi o mais jovem eleito (Foto: George Gianni/ PSDB)

O senador cearense Tasso Jereissati, uma das tradicionais lideranças do PSDB, voltou publicamente a externar sua posição favorável ao governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, na disputa interna para a escolha do provável candidato do PSDB à Presidência da República. Em entrevista publicada pelo jornal o Estado de S. Paulo, domingo (29), Tasso disse que para as prévias do dia 21 de novembro, quando sairá a definição do candidato, o seu nome foi “colocado de uma maneira descontraída, sem que isso seja um projeto pessoal”.

E disse mais: “Tenho uma afinidade muito grande com o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, e com o Arthur Virgílio, do Amazonas. Estamos fazendo um esforço muito grande para termos uma candidatura só nas prévias que possa competir com o Doria. Evidentemente que Doria, como governador de São Paulo, onde o partido é maior, leva vantagem. Ele polariza dentro do partido. Para haver uma competição justa no PSDB, fazer alianças é importante. A probabilidade de uma aliança com o Eduardo Leite e Arthur é grande”.

Na última semana de julho passado, neste espaço, em comentário com o título “Tasso fora das prévias do PSDB para escolha do candidato a presidente da República”, tratamos das dificuldades de o PSDB ter um candidato competitivo na disputa presidencial do próximo ano, advertindo para a possibilidade de a agremiação, com candidato próprio à sucessão do presidente Bolsonaro, repetir o insucesso do pleito de 2018, quando, com um dos expoentes dos seus quadros, Geraldo Alckmin, ex-governador de São Paulo, disputando o cargo acabou tendo uma votação pífia. Tasso, conhecendo o tamanho do seu partido, não participaria, como de fato tudo indica não participará, daquilo que antecipadamente podemos denominar de aventura.

Ele é defensor de um entendimento amplo para o enfrentamento da polarização hoje existente entre direita e esquerda radicais, representadas por Bolsonaro e Lula. E sabe que com Doria, escolhido como candidato a presidente, dificilmente haverá acordo com outras importantes siglas, também contrárias à polarização, pois o atual governador de São Paulo, pela sua determinação ou ganância, não agrega. E, isoladamente, levará o partido não só a um novo constrangimento. O resultado desastroso da disputa de 2018 já deixou o PSDB sem perspectiva de recuperação. Outro, agora, pode ser fatal.

“Ciro é um homem de centro”

Tasso na entrevista citada, ressaltou a sua relação de amizade com Ciro Gomes, mas não respondeu a parte da indagação sobre um apoio à candidatura de Ciro, se ele estiver bem nas pesquisas: “Como é a sua relação com Ciro Gomes? Se ele estiver mais bem posicionado em 2022, pode ser o nome do centro? A minha relação com ele é a melhor possível. Não é de hoje que admiro Ciro. Ele se distanciou um pouco dos potenciais aliados. Ciro é um homem de centro, não de esquerda”.

Opção por aliança e nome a vice

Realmente ele não deveria antecipar qualquer posicionamento sobre apoio a um candidato fora do partido, principalmente pelo fato de estar envolvido diretamente nas prévias. Ademais, o nome de Ciro, de certa forma, sofre algumas restrições de tucanos como Fernando Henrique e Aécio Neves, embora plenamente contornáveis. O certo, porém, é que ao trabalhar para derrotar Doria, provavelmente ele aposta na possibilidade de Eduardo Leite, vencedor das prévias, optar e ter força para conduzir o partido à uma aliança. Leite pode ser um bom nome à vice.

Responsável por ascensão de Ciro

Os ex-governadores Ciro e Tasso (Foto: Divulgação/ Instituto Queiroz Jereissati)

O senador Tasso, é bom lembrar, foi o responsável direto pela ascensão de Ciro Gomes ao cenário da política nacional. Depois de apadrinhá-lo na disputa pela Prefeitura de Fortaleza, ainda em 1988, dois anos depois o ajudou a eleger-se governador do Ceará, tendo, também, significativa importância na sua ida para o ministério da Economia, no Governo Itamar Franco, após o que, por méritos próprios, manteve-se no cenário nacional, inclusive como ministro da Integração Nacional, no último mandato do ex-presidente Lula, credenciando-se, pela trajetória, a postular o cargo de presidente da República.

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