Opinião

Tasso admite o PSDB apoiando um candidato a presidente fora do partido – Edison Silva

Na reta final do 2o mandato de senador, ex-governador é um dos cotados à disputa (Foto: Marcos Oliveira/ Agência Senado)

O PSDB (representado pelo senador Tasso Jereissati, pelo governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite e outros) e o PDT, por razões diferentes, são as duas agremiações mais interessadas na efetivação de um candidato à Presidência da República, em 2022, da chamada “terceira via” para fazer frente à polarização das postulações do presidente Bolsonaro (ainda sem partido) e do ex-presidente Lula (PT), consideradas extremadas por representarem, respectivamente, setores radicais da direita e da esquerda.

A manifestação do senador cearense, repercutida na edição de segunda-feira (21) do jornal O Estado de S. Paulo, representa o sentimento de um expressivo segmento do PSDB de integrar um grupo político que apresente um nome capaz de tentar implodir a polarização entre Bolsonaro e Lula, só interessante para eles próprios. O posicionamento do governador de São Paulo, João Dória, difere do de Tasso. Dória quer ser candidato à Presidência da República, e isso, hoje, inibe entendimentos do partido na busca de alianças para apoio a outro candidato. As prévias de novembro decidirão a sorte do PSDB.

Se elas forem vencidas por Dória, o PSDB de fato terá candidato à chefia da Nação e não há mais que se falar de o tucanato aliar-se a várias outras legendas, especialmente ao PDT, pois Dória não agrega, como ficou claro no anúncio do presidente nacional do DEM, Antônio Carlos Magalhães Neto, de rompimento da aliança tradicional entre as duas siglas (DEM e PSDB), sendo Dória o candidato. Os pedetistas avançam com a candidatura de Ciro Gomes, e, pelas declarações do presidente nacional da sigla, Carlos Lupi, não há negociação de aliança sem o Ciro  candidato a presidente.

Por seu turno, dois dos outros tucanos participantes das prévias (Tasso e Eduardo Leite), parecem ter ciência da inviabilidade de um postulante tucano e, vencendo a disputa com Dória, tudo indica, abrirão espaços para apoiarem um nome fora do ninho, preferencialmente um candidato mais agregador e com apoio popular. Ciro não está descartado, apesar das objeções do próprio Dória e de Fernando Henrique Cardoso, alvo de Ciro em alguns momentos. Mas o convencimento de que tanto Bolsonaro quanto Lula são muito ruins para o Brasil pós 2022, as divergências com o pedetista podem ser superadas.

Disto já cuidamos aqui em outras oportunidades. Recentemente, em publicação no site Uol, o governador Eduardo Leite “disse que não é “um obcecado” e que sua candidatura “não é um projeto pessoal”.  “Não adianta ser o melhor candidato para um estado ou para o partido apenas, tem que ser o melhor candidato para o Brasil.” Ele admite que pode retirar seu nome se houver algum candidato capaz de unificar a chamada terceira via e mostrar competitividade. Nos bastidores, tucanos apostam que ele e Tasso irão se unir. Questionado pela reportagem, Leite não descartou essa possibilidade”.

Por seu turno no jornal o Estado de S. Paulo, ontem (21) o senador Tasso disse “ver como uma “possibilidade concreta” a formação de uma aliança de forças políticas de centro para fazer frente à polarização entre o presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Para Tasso, o candidato que represente este campo não necessariamente tem de ser do PSDB. “Não precisa ser do nosso partido”. O PSDB, é forçoso afirmar, saiu pequeno da sucessão presidencial de 2018.

Governador de 1o mandato, Doria planeja voos mais altos (Foto: Wilson Dias/ Agência Brasil)

O partido não tem musculatura para bancar uma candidatura própria e nem um nome para agregar a maioria das forças de centro, sabem todos, dentro e fora da agremiação, exceção do governador João Dória. Uma nova empreitada como a do pleito passado é temerária, pois um segundo resultado adverso pode aniquilar a agremiação que, sem dúvida, reinventada, ainda pode contribuir muito para a Democracia brasileira, notadamente pelos exemplos de valores diferenciados da quase totalidade dos outros  32 partidos oficiais brasileiros.

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