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Sim! Você é esperto!

Fred Pinho é empresário e mentor de negócios

Por Fred Pinho

Pode acreditar. Todos nós somos. E não deveria existir nenhum problema nisso. Porém…há controvérsias. No dicionário, esperto é aquele que tem a virtude da esperteza, ou seja, tem rapidez de raciocínio, inteligência e vivacidade. Nada mal hein? Mas então, por que será que para muitos, esse elogio não é assim algo tão elogioso? Eu explico.

Gerson de Oliveira Nunes, ou simplesmente Gerson, foi um grande jogador de futebol brasileiro. Meio-campista titular da seleção nacional e campeão do mundo na copa de 70, Gerson tinha uma incrível visão de jogo e era capaz de fazer lançamentos precisos com mais de 40, 50 metros de distância.

Sendo tão eficiente, em algo tão popular, não surpreendia o fato de que o “camisa 8” fosse considerado quase uma unanimidade nacional. E era mesmo. Mas isso foi até o dia que ele seguiu fielmente o script de um comercial de cigarros para o qual tinha sido contratado e disse a seguinte frase: “gosto de levar vantagem em tudo, leve vantagem você também”.

A década era a de 70, o ano 1976. Nascia ali a famosa “Lei de Gerson”. E desde então, no Brasil, o termo esperteza passou a ser associado a um modo de vida ostensivamente focado em levar vantagem acima de tudo e mais alguma coisa.

Olha, eu devo dizer que o desejo de levar vantagem, pouco ou muito, pode ser considerado algo natural, uma condição inerente à enorme competitividade que sempre existiu desde que o mundo é mundo. Mas a bronca começa quando existe uma compulsiva vontade de levar vantagem, mesmo que isso se constitua numa sentença de perda para o outro. É a tal da cegueira do “ganha-perde” se sobrepondo à lucidez e ao bom senso do “ganha-ganha”. Uma pena…

Gerson até hoje se diz perseguido pelo que ele considera uma fatalidade. Nas palavras dele, qualquer um, jogador de futebol ou artista, poderia ter aceitado fazer aquele comercial. Que ironia, o próprio Gerson se vê como uma vítima da “lei” que leva o seu nome. Mas ele não é o único. Tem muita gente que até hoje incorpora esse papel de “sabido” e não se toca de levar prejuízos a outros. Mas aqui vai um alerta: isso está mudando. A maturidade, principalmente no mundo dos negócios, está acabando com a presunção de que alguém que tenha saído em desvantagem hoje continue disponível para perder de novo amanhã.

Exatamente por isso eu gosto muito da frase que diz “o negócio é bom quando é bom para os dois”. Ela é um verdadeiro antídoto para essa enorme legião de “gersons” ainda infiltrada em praticamente todas as categorias. Políticos são “craques” nisso, mas não são os únicos.

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