Opinião

Será Camilo Santana um líder?

Emanuel Freitas é professor de teoria política da Universidade Estadual do Ceará (Uece)

Pululam análises dando conta da liderança de Camilo Santana (PT) no Ceará, sendo o processo de sua sucessão no governo estadual e sua dita “certa” e “não-competitiva” eleição senatorial dois dados que dariam mostras de sua grande liderança. Acadêmicos, jornalistas e políticos apontam a tida “grandeza” do governador. Um pouco menos de paixão e torcida nos revela isso?

Vamos aos fatos. Estamos em julho, e o grupo governista ainda não conseguiu chegar a um consenso em relação ao nome a ser escolhido para a disputa de outubro próximo. Isso significa dizer, dentre outras coisas, que o ex-governador não conseguiu tomar a sucessão em suas mãos e indicar, ele mesmo, o candidato ou a candidata. “Democracia”, dirão os veneradores do governador. Falta de liderança, digo eu, o analista.

A falta de sintonia de seu partido, o PT, que ameaça romper a aliança, sempre enfraquecida, sempre que pode é outro dado que depõe sobre a suposta liderança. Sem falar na completa falta de sintonia com o desejo dos quadros do PDT, que preferem Roberto Cláudio à Izolda; o que diz que Camilo nem mesmo conseguiu convencer seu partido, de fato, do que seria a melhor escolha segundo ele.

Junte-se um terceiro: a progressiva construção da candidatura de oposição, materializada no Capitão Wagner, maior desafeto do grupo político que Camilo representa, candidatura esta que vem sendo potencializada também por defecções partidárias e políticas do grupo que, até ontem, contando com a caneta na mão, dava sustentação ao governo de Camilo.

Indefinição na sucessão, ameaças de rompimento de seu partido, oposição liderando o processo eleitoral: os dados depõem contra a ideia de “líder”. Afinal, de que líder falam analistas, torcedores, aliados e liderados de Camilo?

Para lembrar, em 2002 Tasso Jereissati, mesmo com duas importantes defecções (Landim e Machado) conseguiu impor o nome de Lúcio Alcântara e sair-se vencedor. Em 2014, foi a vez de Cid Gomes (com a defecção de Eunício) fazer o mesmo com Camilo. Foram eleições competitivas, mas não se viu fragmentação de poder tão alargada como se observa hoje.

É que falta um líder, na modesta análise deste autor. Caneta na mão, cadeira no Abolição, ao que parecem, não produzem necessariamente um líder.

 

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