Opinião

Senador Girão busca no relatório independente saída menos gravosa – Edison Silva

Senadores Marcos Rogério (DEM-RO) e cearense conversam durante sessão da CPI (Foto: Roque de Sá/ Agência Senado)

Os dirigentes da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apura, no Senado Federal, as ações e omissões do Governo Bolsonaro no enfrentamento à pandemia do Covid-19, articulam um movimento político para marcar a apresentação do relatório oficial e o consequente encerramento dos trabalhos para os dias 19 e 20 próximos, um pouco antes do prazo regimentalmente determinado para o fim da investigação. Os senadores governistas querem deslustrar o relatório elaborado pelo senador Renan Calheiros, anunciando um ou outros documentos com conclusões diferentes sobre a própria CPI.

Como se não bastasse o surgimento de um relatório paralelo, que segundo o jornalista Lauro Jardim, colunista do jornal O Globo, “estão correndo para fechar”,  “com um apelo para seduzir os titulares independentes do colegiado e acenar à população”,  vendendo “a peça como imparcial, ainda que ela esteja sendo gestada no Palácio do Planalto com a ajuda de Eduardo Pazuello”, o senador cearense Eduardo Girão, anuncia o seu próprio relatório sobre a mesma CPI. Ainda com relação ao documento em preparação pelos governistas, prossegue o colunista do O Globo: “Ministros envolvidos na produção do documento disseram aos bolsonaristas do colegiado que estão incluindo alguns pontos de “autocrítica” no texto”.

Na última terça-feira, a assessoria do senador Girão distribuiu a seguinte informação: “O senador Eduardo Girão falou sobre os trabalhos da CPI e revelou que irá apresentar um relatório independente sobre as omissões do Governo Federal e os desvios de verbas federais nos estados e municípios. Para ele a comissão deixou de rastrear a corrupção como, por exemplo, investigar o consórcio nordeste. Sobre o final da CPI, Girão disse que é melancólico e que a condução dos trabalhos pelos presidentes e relator é sofrível”.

O senador não fará um relatório independente como diz. Ele busca uma saída menos gravosa politicamente para si, tentando evitar votar a favor do relatório paralelo dos governistas ou no oficial, dos oposicionistas. Neste, desagrada mais profundamente ao Palácio do Planalto. E naquele exporia contundente a marca de bolosonarista, que ele tenta esconder.

Objetivo é não ficar contra nem a favor

Eduardo Girão, por mais enfático que seja o seu discurso de independência na CPI, não consegue convencer a ninguém. E exatamente pela sua dubiedade no curso dessa Comissão Parlamentar de Inquérito é que experimenta um expressivo desgaste político. O seu relatório, se sair, até por falta de uma ampla e bem estruturada equipe, de repente pode até ampliar o seu prejuízo político. Todos, governistas e oposicionistas acreditarão que o seu objetivo será, única e exclusivamente, evitar de ficar abertamente a favor ou contra o Governo. Ademais, como um dos autores do pedido de instalação da CPI, nada do que ele colocou no requerimento foi aceito: investigar prefeitos e governadores.

Peça oficial não será primorosa

O relatório que está sendo elaborado pelo senador Renan Calheiros, assessorado com uma grande equipe de técnicos e parcialmente consensuado no grupo de sete senadores em que está incluído Tasso Jereissati, o outro senador cearense integrante da CPI (a Comissão é composta de 11 senadores), por certo não será uma primorosa peça, por qualquer dos ângulos a ser analisado, mas terá substância. E por isso, o que não será nada bom, pode exagerar nas acusações e até na tipificação de prováveis crimes cometidos pelos agentes públicos relacionados no documento, com especial destaque para o presidente Jair Bolsonaro e o general Eduardo Pazuello, ex-ministro da saúde, exemplo de figura obediente ao presidente Bolsonaro, segundo suas próprias palavras.

Memorial trará prejuízos políticos

(Foto: Reprodução de internet)

Bolsonaro, criminalmente, provavelmente nada sofrerá, mesmo que o Ministério Público acate algumas das recomendações feitas pelos membros da CPI. Politicamente, porém,  poderá ter imensuráveis prejuízos, pois a criação do Memorial em homenagem aos quase 600 mil brasileiros mortos, criado por Resolução do Senado da República, encarregar-se-á de manter viva a memória da gente brasileira e sobretudo dos políticos que lhes fazem ou farão oposição.

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