Opinião

Primeiro porre – Totonho Laprovitera

Conta o amigo Barreirinha, que Monteiro Lobato adorava café com farinha de milho, rapadura e içá torrado (a bunda da formiga tanajura), além de Biotônico Fontoura – “para ele, era licor”, diz Joyce, neta do escritor. 

O fortificante e antianêmico Biotônico Fontoura foi criado em 1910 pelo farmacêutico brasileiro Cândido Fontoura. É um dos medicamentos mais antigos em circulação no Brasil. 

Pois bem. Em mil novecentos e sessenta e pouco, lembro que o Caetano Grossi era o representante comercial do Biotônico Fontoura, em Fortaleza. Daí, ele presenteou meu pai com uma caixa de amostra grátis do fortificante, que vinha acompanhada de uns exemplares do Almanaque do Biotônico e da revista Jeca-Tatuzinho. 

As pequenas garrafas, dignas de serem colecionadas, chamaram-me atenção e eu taquei foi a bebê-las, lendo a vitoriosa história do Jeca, diante do amarelão que lhe ameaçava a saúde. 

Lá, pelas tantas, já no final da farra, a minha babá Quinha me pegou e gritou: – “Avia, Maria! O Toim bebeu as garrafinha todinha do remédio, chega tá se rindo das revistinha!” 

Respeite o carão que levei, pois a Maria era a minha segunda mãe e eu mal havia acabado de inteirar dez anos de idade. Pois é, quando menino, eu era danado que só. 

Agora, falando em refrigerante, todo mundo achava que era de uva, mas o sabor do Grapette era de framboesa, sim. Estava escrito na tampinha. E era a cara da merenda do intervalo de jogo no PV, onde eu traçava um sanduíche de mortadela, ou mesmo um cai-duro, com um bem geladim! 

Uma vez, fui com o Chiquinho Aragão até à fabrica do refrigerante, na Avenida Heráclito Graça, e inventamos que estávamos lá por causa de um trabalho do colégio. Bem recebidos que só, depois de uma exaustiva apresentação e explicação do gerente, nós quase que espocamos de tomar tanto Grapette! 

Coisa de menino danado, afinal de contas, “quem bebe Grapette repete”, dizia o seu reclame. 

E o que é que tem mesmo a ver essa história do refrigerante com a do meu primeiro porre? Ora, no restaurante “O Ozias”, no Bairro Varjota, no final dos anos 1980 um grupo de boêmios criou o drinque “Lilás”, mistura de vodca com Grapette, que era um porre e dava uma ressaca de fazer chover na alma!

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