Opinião

Para Ciro, Bolsonaro e Lula são “coisa ruim e coisa pior”

Ex-ministro vai para sua quarta disputa pelo Palácio do Planalto/agência brasil

O cearense Ciro Gomes (PDT) está colocando sua quarta disputa para chegar ao Palácio do Planalto, em 2022 (as outras foram em 1998, 2002 e 2018), como uma “obrigação moral” para proporcionar ao povo brasileira uma alternativa à polarização atualmente existente entre direita e esquerda radicais, representadas, respectivamente, pelo presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Lula. Para ele, o eleitorado não pode ficar compelido a “escolher entre coisa ruim e coisa pior” o futuro presidente da República. Com esta expressão, naturalmente, ele qualifica as postulações de Lula e Bolsonaro.

Recente pesquisa do Instituto Poder Data, publicada em parceria com os meios de comunicação do Grupo Bandeirantes, mostra a consolidação do nome de Ciro na terceira posição se a disputa presidencial fosse agora (os primeiros são Lula e Bolsonaro). As pesquisas, qualquer delas, publicadas fora da campanha eleitoral propriamente dita, servem apenas para animar o ambiente político.  Uma grande parcela do eleitorado só atenta para a disputa eleitoral quando o quadro de candidatos realmente está definido. Os nomes hoje apontados pelas pesquisas são aqueles que já foram votados pelos próprios entrevistados ou seus familiares.

Ciro foi sempre bem votado nas três disputas presidenciais de que participou. Na primeira, em 1998, concorrendo com Fernando Henrique Cardoso, o eleito, Lula e outros nomes, ele ficou na terceira colocação com 10,96% dos votos, ou 7.426.187 de sufrágios. Na segunda tentativa de chegar ao Poder Central, em 2002, ele obteve bem mais votos que na anterior, mas ficou na quarta colocação. Naquele pleito foi eleito o ex-presidente Lula, ficando o hoje senador, José Serra, em segundo lugar e Antônio Garotinho na terceira posição. Ciro obteve 10.170.882 votos, correspondendo a 11,97% do total apurado.

Por fim, após um longo recesso de 12 anos, em 2018, ele voltou a ser candidato à Presidência da República conquistando 13.344.371 votos, equivalente a 12,47% dos votantes e ficando na terceira colocação. Bolsonaro foi o vencedor e Haddad o segundo. Os números de votos conquistados em pleitos presidenciais mostram a consolidação do ex-governador cearense como uma das principais lideranças políticos do País, sem dúvida. Inegavelmente, com todas as reservas que possam ser feitas por seus adversários, no quadro atual de pretendentes à sucessão de Bolsonaro, incluindo o próprio, Ciro é o melhor nome.

O discurso forte, e até agressivo, resultado de sua irresignação com o trato da coisa pública dispensado por determinados governantes, se o afasta de algumas lideranças políticos, talvez seja a razão da preferência dessa parte do eleitorado brasileiro que lhe tem garantido esse significativo percentual de votos. Nas eleições de 2022, provavelmente a sua última tentativa de ser presidente da República, mas não de deixar a política ou de participar como coadjuvante de outras campanhas, por sua obstinação de ajudar a construir um Brasil melhor, Ciro, se de fato conseguir apoios partidários para ter mais tempo na propaganda eleitoral no rádio e na televisão, terá chance de chegar ao segundo turno.

Lula sabe disso. Ele conhece bem o Ciro e não duvida da sua capacidade de persuasão. Por isso, o ex-presidente corre primeiro em busca dos partidos que podem aliar-se a Ciro, para toldar os entendimentos que estão em curso como o fez, mesmo na prisão, nas eleições de 2018, quando o seu candidato era o Fernando Haddad. Bolsonaro, agora não faz o mesmo por confiar nos partidos que estão emprestando apoio ao seu Governo. Ademais, já está comprovado que ele não dialoga bem com a classe política.

Bolsonaro e Lula, no início da campanha, poderão até engalfinharem-se para manter a polarização da disputa que só a eles interessa. Mas o discurso de Ciro, apontando números negativos, as idiossincrasias dos governos do ex-presidente e do atual, oferecendo alternativas forçará ambos a responderem e mudar o debate para discutirem o futuro do Brasil. E é isso que o cearense quer e precisa para buscar o sucesso que está projetando.

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