Opinião

Os partidos são responsáveis pela desinteressante polarização política – Edison Silva

À maioria das siglas interessa formação
de bancadas de deputados (Foto: Fabio Rofrigues Pozzebom/ Agência Brasil)

“O País tem um urgente desafio: encontrar um candidato competente e responsável, capaz de representar uma alternativa viável a Lula e Bolsonaro”, diz o título de um dos editorais do jornal O Estado de S. Paulo, edição da última segunda-feira (24). O periódico adverte para a responsabilidade dos partidos, e da própria sociedade, para os prejuízos sociais e econômicos que essa polarização encerra, enfatizando que a “população não pode ser refém do lulopetismo e do bolsonarismo”.

De fato, em mais de uma oportunidade, neste espaço, fizemos comentários críticos contra a falta de critério das nossas agremiações partidárias para escolha dos seus candidatos. A nossa mais recente manifestação foi quanto à homologação de candidaturas claramente em desacordo com a Legislação Eleitoral, posto as condenáveis práticas pregressas daqueles postulantes. E é exatamente pelo menoscabo dos partidos que a Justiça Eleitoral fica abarrotada de ações de impugnações de registro de candidaturas e, em alguns casos, deixando municípios sem prefeitos, por cassação de registros de candidaturas ou de diplomas de eleitos, como alguns casos no Ceará.

A polarização nas disputas eleitorais, antes do segundo turno das eleições majoritárias de prefeitos, governadores e presidente, é danosa não apenas numa eleição presidencial por figurarem nos seus polos Lula e Bolsonaro. Também o é por negar ao eleitorado a opção de escolher um terceiro. Os dois representantes das extremas: direita e esquerda, estão segregados nos seus partidos. Aliás, Bolsonaro nem sequer tem hoje filiação partidária, pois não conseguiu formar o seu próprio grêmio e, pelas exigências feitas, não tem encontrado facilidade de entrar em qualquer das agremiações com reconhecido potencial eleitoral.

“Esse desafio à liberdade e à cidadania – encontrar um candidato a presidente da República responsável e com viabilidade política – é, em alguma medida, tarefa de toda a sociedade”, diz o diário paulistano, chamando atenção para as responsabilidades dos partidos. “Eles não são – não precisam ser – reféns de Luiz Inácio Lula da Silva ou de Jair Bolsonaro. Por exemplo, nas eleições de 2020, cinco partidos se destacaram quanto ao número de prefeitos eleitos: MDB (783), Progressistas (687), PSD (654), PSDB (521) e DEM (466)”.

Os filiados destas agremiações são responsáveis pela administração de mais da metade dos municípios brasileiros. Com o potencial eleitoral conquistado nas eleições de 2020, nenhuma delas, a não ser por questões de subserviência dos seus dirigentes, precisa estar atrelados a um ou outro pretenso candidato extremado. Pragmáticos como têm sido os dirigentes do MDB e dos Progressistas, dificilmente colaborarão para o País perseguir um novo ambiente político. As demais aqui citadas, lamentavelmente, preferem chegar ao poder pelo caminho mais fácil. Contentam-se em eleger parlamentares, e, com uma boa bancada, ter espaço para negociar apoios à chamada governabilidade.

O PDT de Ciro Gomes tem buscada sensibilizar dirigentes de partidos, não extremados, para ser ele o nome da terceira via. Não tem sido fácil. Lula é o seu principal concorrente nessa empreitada. Bolsonaro, ainda buscando um partido para filiar-se, também vai querer dificultar a formação da aliança alternativa perseguida por Ciro. Lula e Bolsonaro, os únicos beneficiados com a polarização que estimulam, segundo o jornal O Estado de S. Paulo, querem fazer os partidos de “vassalos de seus interesses particulares”. E, lamentavelmente, o eleitor, a principal vítima dessa situação, acaba não tendo escolha.

“Somente com a altiva participação das legendas, o eleitor poderá desfrutar de um mínimo de pluralismo político que o liberte da asfixiante disjuntiva entre Lula e Bolsonaro”, conclui o editorial do jornal paulistano. A maioria dos dirigentes partidários nacionais parecem não ter a compreensão da importância de suas siglas no processo democrático, pois as tratam como bens próprios para satisfação dos interesses pessoais próprios e de poucos amigos, tantas são as coligações e apoios esdrúxulos firmados.

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