Opinião

“Nunca mais essa quadrilha conta comigo”, diz Ciro Gomes em referência aos petistas – Edison Silva

Em longa entrevista ao jornalista Kennedy Alencar, na manhã passada de 8 de março, transmitida ao vivo pelas redes sociais do Uol, Ciro Gomes (PDT) não poupou críticas ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e aos ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff, ambos do PT. Segundo ele, Dilma quebrou o Brasil e Lula é “inconfiável”, além de enganador, para concluir, com ressalvas que ele nominou, inclusive citando o senador Jaques Wagner e outros, que o petismo é corrupto.

No nosso último comentário, tratando da coluna do jornalista Elio Gaspari, publicada na quarta-feira (3),  sob o título “Ciro Gomes está na pista”, afirmamos que Lula, ao menos na próxima eleição, dificilmente terá o apoio de Ciro, para si ou para alguém por ele indicado. E Ciro, na entrevista em comento, declarou explicitamente, referindo-se aos petistas que “nunca mais essa quadrilha contará comigo”, fechando, assim, qualquer espaço de um apoio dele, inclusive ao próprio Lula. Ele não respondeu a indagação se, no caso de ir para o segundo turno da disputa presidencial, pediria o apoio do PT.

São cáusticas as observações que faz Ciro aos comportamentos pessoal e político do presidente Bolsonaro, mas não são mais fortes que as feitas ao ex-presidente Lula, a quem chama de “inconfiável” e só pensar “em si, depois no PT e em 10º lugar no Brasil”, por isso enganar a todos os aliados como o fez com “Flávio Dino (governador do Maranhão e filiado ao PCdoB), o Boulos (candidato a prefeito de SP pelo PSOL) e a Marina (Silva)”. Ele não incluiu o seu próprio nome na lista.

Filiado ao PDT, ex-ministro deve disputar quarta eleição presidencial em 2022 (Foto: Agência Brasil/Reprodução)

Para Bolsonaro, Lula é melhor nome

Definindo-se como um “sonhador com os pés no chão”, Ciro condena a política econômica de Bolsonaro, mas diz ter sido “a Dilma quem quebrou o Brasil”.  Condenando o instituto da reeleição, ele admite ser Bolsonaro um dos dois candidatos a disputar o segundo turno da próxima eleição presidencial. E diz, Lula sabe disso, pois mesmo “envelhecido” tem uma boa visão do panorama político nacional. Aposta, assim, no quanto pior melhor ao querer impor uma candidatura petista, dividindo as oposições, fazendo exatamente o querer de Bolsonaro, posto entender ser um petista o melhor concorrente para ele derrotar.

Pedetista: aliança sem o PT

“Tirar o Bolsonaro” do Poder, como disse na entrevista, é o foco de Ciro, mas a “quadrilha” petista não contará com sua ajuda para ser um ou uma dela a substituir o atual presidente nos palácios de Brasília. Ciro não responderá sim à proposta de Lula de união das oposições no segundo turno contra Bolsonaro. Ele trabalha, desde o encerramento da disputa de 2018, na formação de uma aliança sem o PT, pois sabe que Lula, como fez na última sucessão presidencial, trabalhará para isolá-lo em 2022, embora a realidade hoje seja outra, e, o sentimento no bloco que sempre apoiou o PT seja parcialmente o mesmo de Ciro.

Não há chance para entendimento

Repetindo o aqui já afirmado: Hoje, pelo nível de confronto entre os dois, apesar dos discursos em contrário, Lula e Ciro querem a derrota um do outro. A afirmação do cearense de “nunca mais essa quadrilha (os petistas) conta comigo”, não dá chance para qualquer entendimento de aliança de Ciro com o PT não sendo ele o candidato à Presidência da República. E o PT, espinafrado por Ciro, e tendo nele o seu mais ferrenho opositor, não tem como ajudá-lo a ser presidente do Brasil.

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