Opinião

Niedja Bezerra celebra o pioneirismo do Ceará na atenção ao paciente reumático – Márcia Travessoni

Apesar dos inúmeros desafios enfrentados em 2020, o Ceará destaca-se pelo constante avanço na área da saúde. À frente da Sociedade Cearense de Reumatologia (SCR), a médica Niedja Bezerra Frota celebra o pioneirismo do Estado com a aprovação da Linha de Cuidado em Reumatologia, que busca garantir o acesso de tratamentos essenciais, além de proporcionar qualidade de vida aos pacientes reumáticos.

“A linha de cuidados foi uma conquista que tivemos, com ela garantimos acesso à medicação, ao serviço primário, secundário e terciário do paciente reumático. Como são doenças crônicas, elas não têm cura, mas têm tratamento. Por isso é super importante acompanhar cada caso”, afirma Niedja. Idealizada inicialmente em 2017, a série de medidas é fruto dos esforços da SCR em parceria com o Grupo de Apoio aos Pacientes Reumáticos do Ceará (Garce) e foi aprovada em setembro de 2020 pela Secretaria da Saúde do Estado (Sesa).

“Fortaleza saiu na frente com essa assinatura da Linha de Cuidados! Hoje, a Sesa reconhece o paciente reumático que precisa desse cuidado e desenha essa responsabilidade para cada setor”. Segundo Niedja, a linha já está em vigor, porém, a atenção da Secretaria de Saúde no momento está direcionada ao combate à pandemia. “A Sesa está com um projeto interessante para organizar melhor os tipos de serviço (primário, secundário e terciário), mas de fato a prioridade ainda é a covid-19”.

De crianças a idosos

De acordo com a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), cerca de 15 milhões de pessoas são acometidas por doenças reumáticas no País. Os diagnósticos dos 120 tipos de doenças desse grupo podem afetar desde crianças a idosos. Dores e inchaço nas articulações estão entre os sintomas mais comuns dessas enfermidades, que acometem as juntas, ossos, músculos, cartilagens e tendões, além da pele e dos sistemas respiratório e gastrointestinal.

As doenças reumáticas têm um forte impacto no sistema de saúde do País. Só entre setembro de 2019 e agosto de 2020, mais de 100 pessoas por dia foram internadas em hospitais ligados ao Sistema Único de Saúde (SUS) com sinais e sintomas compatíveis com alguma enfermidade reumática, conforme revela o Departamento de informática do Sistema Único de Saúde (Datasus).

Protetor solar

Niedja explica que existem formas de prevenir a ativação e agravamento dessas enfermidades e uma delas está relacionada ao simples hábito de usar o protetor solar. Em vista disto, uma das primeiras conquistas da Linha de Cuidados foi garantir que pacientes com Lúpus, que é induzido pelos raios solares, recebam gratuitamente o filtro solar.

“Parece uma coisa mais simples, mas não é. Por meio do uso do protetor solar a gente inibe a ativação de doenças reumáticas, principalmente o lúpus. Com essa distribuição, vamos tentar diminuir as despesas com medicação de alto custo, como os imunossupressores e os imunobiológicos. O protetor solar é sim uma forma de terapia e colocamos isso na atenção básica”, comentou.

Em outubro, a Prefeitura Municipal de Fortaleza, por meio da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), começou a disponibilizar o protetor solar na rede pública de saúde para pacientes lúpicos com fotossensibilidade. Cerca de mil pessoas, pertencentes ao público-alvo da iniciativa, recebem mensalmente um frasco do fotoprotetor com fator de proteção 30, entregue nas 15 Farmácias Polos, unidades de referência responsáveis pela distribuição de medicamentos especializados.

Próximos passos

Entre as conquistas da Sociedade Cearense de Reumatologia em 2020, Niedja também cita a criação do site da entidade (www.reumatoceara.com.br), com indicações de especialistas locais, e a proposta de criação de um canal de parecer, em que o reumatologista daria suporte, à distância, ao médico que está atendendo pacientes reumáticos, para desafogar a lista de espera. “Conversamos com o secretário de Saúde, Dr. Cabeto, sobre essa proposta. “Seria uma segunda opinião para auxiliar o médico que está na atenção primária ou secundária, pois não temos um reumatologista na linha de frente do cuidado. Essa proposta já foi aprovada, mas ainda não foi implementada”, adianta.

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