Opinião

Moda para além da aparência

Por
Manu Corrêa

O que se pensa quando é dita a palavra moda? Não há como obter uma conclusão universal, mas podemos imaginar: para alguns, é uma indústria, mercado; para outros, é parte da vaidade humana, da imagem de si; há quem pense que é um universo inalcançável, feito apenas para aqueles que cabem em certo número e podem pagar mais que a maioria. Grifes italianas, desfiles, alta costura – ou ferramenta social e política, signos que diferenciam classes e tribos urbanas. Para cada definição, entretanto, há um fator comum: é tudo sobre aparência – ou assim se pensa.

Não há como dissociar a moda da ideia de aparência, claro, mas podemos pensar nesta como sendo uma parte ao invés do propósito total da moda. A aparência é a culminação de um processo, de como o indivíduo escolhe se expressar por meio de algo tão trivial e cotidiano quanto roupas. A vestimenta é um meio de comunicação, você a usa para dizer algo sobre si antes de proferir alguma palavra. Quando vemos certas peças, símbolos e acessórios juntos, podemos inferir algo sobre quem as veste. Eles nos contam uma história, talvez não exata ou completa, mas que pode despertar o convite para descobrir quem está por debaixo da indumentária.

Moda é um terreno para a construção de identidades, de explorar o subjetivo por meio de tecidos, cortes, cores e misturas. As tendências existem como uma forma de direcionar o mercado e de entender como aquela geração escolhe se mostrar – e isso tudo pode mudar quando menos se espera. Atravessamos ainda a pandemia de covid-19, mas já podemos ver como ela reverbera no universo fashion: depois de quase dois anos em casa, queremos ser mais vistos do que antes, queremos extravagância, cores vivas e choque de estampas. Chamar atenção, não apenas para nossos corpos, nossos rostos e atributos, mas mostrar o que foi preciso resguardar longe dos olhos públicos ao longo dos meses de isolamento social e lockdowns.

O que se vê do lado de fora nada mais é do que a expressão daquilo que pensamos e temos vontade de contar para o mundo. Embora a aparência faça parte da equação, ela é uma parcela um tanto pequena perante ao que realmente transparece: aquilo que você é, o indivíduo.

Manu Corrêa é estilista e gerente de marketing da Feitiço

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