Opinião

Lojistas, fornecedores e inadimplência

Por
Luis Marinho

Um comerciante compra mercadorias com seus fornecedores e, no melhor dos cenários, consegue parcelar sua aquisição em até três vezes. Porém, ao vender a mercadoria a um consumidor final, muitas vezes é obrigado a parcelar em até 12 vezes. Se na sua mente essa conta também não fecha, com certeza, a matemática financeira não vai achar uma solução simples. Considerando que o custo de atualização de estoque é, em média, 40% de todas as contas de uma loja, como honrar o compromisso com as empresas produtoras, sem ficar negativado ou sem margem de lucro com as taxas de antecipação de crédito?

O primeiro problema é que a maioria dos empreendedores não possui grande reserva para capital de giro. Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, somente em 2020 mais de 75 mil lojas físicas foram fechadas justamente por não terem como se manter em um período de crise como a pandemia, o que reduziu as vendas para algo próximo de zero. A dependência exclusiva da renda mensal pode até dar certo, mas, com uma mudança tão repentina como a que vivemos, não houve como se preparar para os tempos das vacas mais magras.

O segundo problema encontrado em muitos comércios é a falta de controle no fluxo de caixa. Entender o quanto de dinheiro entra e o quanto sai é essencial para adequar um negócio aos desafios que podem surgir. Cenários de mercado mudam constantemente, mas saber o quanto de lucro mensal você tem pode ser essencial para adiantar a hora de uma reforma ou adiar um investimento de maior risco.

Quando pensamos na importância de uma boa relação dos lojistas com a indústria, com pagamentos sempre em dia e alto nível de con­fiança, temos que levar em consideração que existe uma dependência nesse sistema. Um lojista que não honra seus compromissos cai em descrédito e vê portas se fechando e impedindo seu negócio evoluir. Mais do que ter toneladas de dinheiro para gastar, utilizar a tecnologia e técnicas para facilitar sua gestão financeira pode ser a solução para encontrar saídas para as dívidas.

Luis Marinho é co-CEO da Blu, fintech de gestão de recebíveis de cartão de crédito

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