Opinião

Litígio: o Ceará é dos cearenses – Editorial

Litígio: o Ceará é dos cearenses

Gruta de Ubajara

Diálogo e bom senso foram externados pela governadora Izolda Cela (PDT), na última terça-feira (10), ao sair de audiência com a ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármem Lúcia, em Brasília. A magistrada é relatora do processo de litígio territorial entre os estados do Ceará e Piauí.

Trata-se da Ação Civil Ordinária 1.831, impetrada em 2011 pelo estado vizinho, na qual questiona a divisa com o Ceará. A área está na Zona Norte do Estado e envolve treze municípios: Granja, Viçosa do Ceará, Tianguá, Ubajara, Ibiapina, São Benedito, Carnaubal, Guaraciaba do Norte, Croatá, Ipueiras, Poranga, Ipaporanga e Crateús.

Cercada de controvérsias, a disputa corresponde a 2.821 km², remete ao ano de 1.758 – época das capitanias hereditárias -, e reúne argumentos de lado a lado – geográficos, econômicos, históricos e sociológicos. Há conflitos de versões, remanescentes à época em que nenhuma das unidades da Federação sequer dispunha de mapas minimamente precisos. A ministra do STF encomendou uma perícia ao Exército Brasileiro. A maioria das cidades está na Chapada da Ibiapaba.

Aqui começa a parte que dá mais peso ao conflito. A Ibiapaba exibe forte potencial para o agronegócio. De lá saem produtos hortifrutigranjeiros que ajudam a abastecer centros comerciais do Ceará, Piauí e Maranhão. A oferta de água é outro destaque, com quatro sub-bacias hidrográficas, afluentes da bacia do Parnaíba.

De clima ameno e paisagens bucólicas, a região também é rica em opções turísticas e bem servida de hotéis de serra e parques ecológicos. Entre os principais pontos de visitação estão a Gruta de Ubajara, Bica do Ipu, Igreja do Céu (Viçosa do Ceará) e Santuário de Fátima (São Benedito).

Na Ibiapaba também há cachaçarias artesanais, mirantes encantadores, extensos plantios de flores e cenários para esportes radicais, como tirolesa, arvorismo e trilha. Estima-se que todos os municípios envolvidos compreendam cerca de 60 mil estabelecimentos, sendo incalculáveis os investimentos públicos e privados, ao longo de, no mínimo, um século e meio.

Associado a tudo isso, está o sentimento de pertencimento da população aos seus locais de origem, com memórias coletivas, construídas ao longo de décadas. Mais importante do que recursos naturais, portanto, as raízes de famílias e gerações formam um argumento-chave e há de prevalecer, para que um pedaço do Ceará continue com os cearenses.

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