Opinião

Eunício explora seu encontro com o ex-presidente Lula, principal adversário de Ciro entre concorrentes de Bolsonaro – Edison Silva

Ex-presidente e ex-senador querem voltar ao poder (Foto: Reprodução/ Facebook)

O ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), cumpre em Brasília, nos últimos dias, uma maratona de encontros políticos com vistas à sucessão presidencial do próximo ano. Como Ciro Gomes (PDT), Lula quer consolidar sua candidatura no campo da centro-esquerda para fugir do carimbo de esquerda radical, além de dificultar a formação da aliança perseguida por Ciro na busca de tornar-se o nome do centro com a condição de ser a opção aos brasileiros contrários aos representantes dos radicalismos de direita e de esquerda.

No seu périplo mais intenso após ter retomado à condição plena da cidadania, podendo votar e ser votado, em razão das decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) que anularam suas condenações criminais quando reconheceu a incompetência do juízo de primeira grau que o condenou, Lula mira o PSB, o MDB e políticos ligados a outras agremiações simpáticas à postulação de Ciro. A edição de ontem (5) do jornal O Estado de S. Paulo, em matéria que registra a tentativa de Lula “atrair políticos do Centrão”, destaca a conversa do ex-presidente com a senadora Kátia Abreu (Progressistas). Ela foi candidata, em 2018, a vice-presidente ao lado de Ciro.

A senadora Kátia assumiu o compromisso de levar Lula para conversar com os empresários rurais. Ela é uma liderança nesse campo empresarial. A senadora foi ministra no Governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), assim como também o foi o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, outro relacionado por Lula para conversar. O ex-senador Eunício Oliveira (MDB) esteve com Lula, mas não fez qualquer detalhamento de sua conversa com o ex-presidente, embora tenha publicado uma foto, onde está, inclusive, o deputado federal cearense José Guimarães, uma das testemunhas do encontro.

Como é inimigo dos líderes do grupo da situação no Ceará, os irmãos Ciro e Cid Gomes (PDT), Eunício busca proveito político com a publicação da foto. De fato, neste momento em que experimenta um certo ocaso na política cearense, com a total falta de chance para disputas majoritárias (de senador ou governador), poder contar com o apoio de Lula é para ele uma loteria. Depois da ajuda de Cid Gomes, quando era governador, e de Lula que veio ao Ceará pedir para votar nele e em José Pimentel, garantindo a ambos um mandato de senador, de lá para cá todas as investidas de Eunício em busca de um mandato majoritário foram infrutíferas (ele foi candidato a governador em 2014 e a senador em 2018).

De olho em cadeira de deputado

Mas, embora o PT de Lula no Ceará não tenha um nome para concorrer, competitivamente, ao Governo do Estado e ao Senado da República, Eunício, por mais que possa dar a ideia de ser candidato a um dos dois cargos, será mesmo postulante a uma vaga na Câmara dos Deputados. Não vai querer correr o risco de ficar outros quatro anos sem mandato, por mais expressivo que ainda seja o apoio de Lula. Ademais, sabe muito bem Eunício que ainda terá muito a purgar. Precisa de tempo, e da pratica de novas ações, para recuperar a confiança política das principais lideranças do Estado e do grande eleitorado cearense.

MDB já foi grande no Ceará

Mauro Benevides foi maior líder do partido no Estado (Foto: Agência Senado)

Na eleição municipal passada, para prefeito e vereadores, só restou a Eunício uma aliança do seu MDB com o diminuto Solidariedade. O partido dele, um dos maiores do País, é dos menores no Ceará, desde a morte do ex-prefeito Juraci Magalhães, levado a um cargo majoritário pela influência do ex-senador Mauro Benevides. Juraci foi vice-prefeito de Ciro Gomes e depois elegeu sucessor e reelegeu-se. Hoje, inacreditavelmente, o MDB não tem um vereador sequer em Fortaleza. E pior, sem perspectiva de eleger deputados estaduais se houver o impedimento de coligações proporcionais em 2022.

Ex-senador poderá voltar

Tendo o apoio de Lula em 2022, Eunício terá uma boa oportunidade para, despojando-se do excesso de vaidade, enveredar por um novo caminho na política cearense e, quem sabe, no futuro, poderá ascender à condição de líder, não a de dono de partido como a que detém hoje, e, retomar o seu projeto de conquistar o Governo do Estado, posto, naquela situação, ser uma figura que possa transmitir confiança aos liderados e aos futuros aliados.  Hoje, com todo respeito que possa merecer, não agrega para ter os apoios necessários para chegar onde almeja. O dinheiro não é um único ingrediente para certas conquistas.

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