Opinião

Enfrentando a crise hidroenergética

Por
Danilo Forte

A queda no desenvolvimento econômico brasileiro, verificada na última década, felizmente começa a ser superada. Prova disso é o aumento de nossa atividade econômica, refletido no consumo recorde de energia do país, que em julho atingiu 39.950 GWh – alta de 5,7% em relação ao mesmo mês de 2020 (dados da EPE).

Essa retomada é positiva, mas preocupa por não temos energia elétrica no volume desejado, o que pode trazer graves problemas. Nossa matriz depende do ciclo da água (63,8% de nossa geração tem origem hidráulica) o que limita a geração em períodos secos como o atual (a pior em 91 anos). Como reforça o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico, há “relevante piora” na condição hídrica do país, o que preocupa, segundo a CNI, 90% do empresariado.

Dado esse quadro, produto de décadas de inadequada gestão do sistema elétrico nacional, e face à incerteza da quadra chuvosa, medidas urgentes são necessárias. Em caso de escassez de água, pensa-se logo em conter o consumo de energia para evitar cortes no fornecimento, mas a questão deve ser vista com outros olhos.

Aumentar tarifa ou impor racionamento são “remédios” perigosos e, para nós, desnecessários, pois podemos gerar energia barata, estável e abundante. Com o sol e vento que temos, o Ceará pode gerar, sozinho, 1,363 TWh/ano (Atlas Eólico e Solar do CE) o que representa quase duas vezes a oferta interna bruta de eletricidade no País.

Conhecidas as soluções econômica e tecnicamente mais viáveis para aumentar a oferta, não se deve adotar medidas precipitadas. Precisamos, apenas, incentivar o uso racional e criar políticas públicas que fomentem a geração distribuída de energia limpa, cujas fontes temos em abundância.

A energia é vital para ampliar nossa produtividade, daí a importância da direção que aponto para evitar a crise que se avizinha e para pôr fim à insegurança energética que sempre ronda o Brasil. Com nosso potencial de geração de energia limpa, poderemos surpreender a todos, como fez a indústria do petróleo no início dos anos 1900, nos Estados Unidos, e a indústria voltada à produção em massa, na segunda metade do século XX, só que de modo social e ambientalmente responsável.

Danilo Forte é deputado federal (PSDB-CE)

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