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Editorial – Pandemia e empreendedorismo: copo meio cheio

MEI: crescimento para além da pandemia / Patrícia Cruz/Sebrae

Dados do Portal do Empreendedor, mantido pelo Governo Federal, mostram que o Ceará registrou aumento de 25,61% na quantidade de microempreendedores individuais (MEIs), desde o início da pandemia de covid-19. Foram abertos 81.072 novos negócios do tipo, entre abril de 2020 – primeiro mês completo após o início da crise sanitária, e setembro último. Atualmente, o Estado abriga quase 400 mil ocupações nessa modalidade.

A explicação parece óbvia: com o impacto do coronavírus no mercado de trabalho, a desaceleração da economia – estacionou em alguns segmentos -, empurrou muitos profissionais para o desemprego. Nesse contexto, as empresas individuais surgiram em substituição ao vínculo formal anterior. O fenômeno teria sido provocado para manutenção da fonte de renda.

Não foi somente isso. A começar pelo crescimento do número de MEIs nos últimos anos, mesmo antes da pandemia. Acrescente-se a isso, inclusive como um dos pontos desse incentivo, a facilidade de inscrição de CNPJ pessoal, para a qual governos, nos três níveis, têm demonstrado apoio. A consolidação do comércio eletrônico, novos suportes digitais e simplificação de transações comerciais completaram esse novo ambiente.

Há, ainda, a formalização de negócios a partir da ampliação ou inovação, hoje simplificadas pela conectividade, home office e oferta crescente de coworking. As possibilidades são muito variadas. Também são inúmeros os fatores que levam o sonho de ser responsável por sua própria renda à dura realidade da vida curta do investimento. Até nisso, muitos já estão escolados, com boas noções sobre mercado, concorrência, clientela, fornecedores, fluxo de caixa, capital de giro e financiamento, entre outras.

Portanto, a pandemia, por vias heterodoxas, levou dezenas de milhares de cearenses, homens e mulheres, solteiros ou pais e mães de família, a buscar soluções para se manterem economicamente ativos. Somados a isso, porém, fatores externos à crise e aspectos inerentes à nossa gente podem ter iniciado um ciclo virtuoso de novos negócios, futuramente prósperos, grandes e duradouros. Não é, somente, a substituição do emprego que se foi. A questão é olhar o copo meio vazio ou meio cheio.

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