Opinião

Deputados e prefeitos em romaria ao Palácio da Abolição, mas na Capital persiste a insatisfação – Edison Silva

Sede do Executivo Estadual, onde o governador vem recebendo deputados e prefeitos (Foto: Ascom/ GE)

O governador Camilo Santana começou a receber os deputados aliados, e com estes os prefeitos. Era latente a insatisfação da maioria parlamentar governista com a falta de acesso ao Palácio da Abolição e da ajuda governamental, tão importantes para o fazer político deles. Hoje, é só alegria no grupo, inclusive dos que ainda não foram recebidos, mas por saberem do tratamento que a todos está sendo dispensado. Só não se fala de pandemia e de candidaturas nos encontros, embora alguns prefeitos mais salientes antecipem o seu voto de senador para o governador.

Camilo, segundo testemunho de alguns, não tem tratado de eleição. Tem ouvido os pleitos administrativos dos prefeitos e autorizado muito do que lhe é pedido, acionando, em alguns momentos, auxiliares diretos que serão responsáveis pelas obras autorizadas. O Estado, pelas reivindicações que têm sido atendidas pelo governador, está com o caixa abastecido. Aliás, o balanço do segundo bimestre da receitas e despesas da administração estadual não confirmam os discursos de retração econômica em razão da pandemia. Todas as receitas previstas foram alcançadas neste ano.

Mesmo não falando de campanha ou de candidaturas nos encontros com os deputados estaduais e prefeitos, Camilo está em plena campanha, mesmo sem descurar da atenção especial dada ao enfrentamento da pandemia, já responsável por milhares de mortes de cearenses, e ainda com significativa abrangência. O governador, mesmo com o horizonte limpo para suas pretensões futuras, sabe que para os deputados tudo é muito diferente. Só a ajuda do Governo é capaz de mostrar aos prefeitos que eles podem continuar votando nos seus deputados.

De candidaturas com os governistas vai falar o senador Cid Gomes. E isto, segundo alguns deles, só a partir de março do próximo ano. Cid, realmente, como tem demonstrado nas últimas eleições, deixa para o final do tempo limite estabelecido pelo Calendário Eleitoral a definição dos seus candidatos a cargos majoritários, assim como as alianças no Interior. Nestas, de fato, acontecem os acertos finais para as votações dos candidatos às Casas Legislativas: Assembleia e Câmara Federal. Por isso é que ainda hoje tem deputado estadual que quer ir para federal, mas continua pedindo voto para ser reeleito por não saber se terá o apoio da chefia do grupo para tal.

Maioria de aliados é do PDT, PP e PSD

O trabalho de apascentamento feito pelo governador precede ao que será executado pelo senador. O grupo, no momento das definições, a partir de abril do próximo ano, precisa estar, senão plenamente satisfeito com o tratamento recebido do Governo, pelo menos reclamando pouco, posto ser impossível a satisfação plena de qualquer político com o governante aliado, notadamente quando o titular deste é de uma sigla e a maioria dos apoiadores é filiado a várias outras agremiações. Camilo é do PT, mas os seus principais aliados são do PDT, do PP e do PSD.

Insatisfeitos procuram RC

Camilo está cuidando dos políticos do Interior. Mas, na Capital cearense governada por Sarto, do PDT, a insatisfação dos aliados só cresce. Algumas lideranças pedetistas na Assembleia Legislativa já foram instadas sobre a questão. O ex-prefeito Roberto Cláudio, em São Paulo, onde cumpre jornada universitária, tem sido, ao que é comentado sob reserva, constantemente procurado por correligionários que relatam suas irresignações. Alguns, aproveitando os fins de semana, encontram-se pessoalmente com ele para relatarem as mágoas. Roberto, acolhe os depoimentos, mas parece que não os endossa.

Poucos vereadores disputarão AL-CE

Legislativo da Capital será impactado indiretamente (Foto: Divulgação/ CMFor)

Roberto Cláudio foi, indiscutivelmente, o principal apoiador da candidatura do prefeito José Sarto. Talvez por isso, e pelo fato de ter o seu nome apontado como provável candidato a governador do Ceará, seja o mais procurado pelos insatisfeitos. Os vereadores de Fortaleza, exceção dos poucos que disputarão vagas na Assembleia Legislativa, não precisam de votos nas eleições do próximo ano, mas, inegavelmente, são os principais cabos eleitorais, em especial, das candidaturas majoritárias.

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