Opinião

Covid-19: a quebra de patentes e a “diplomacia da vacina” – Erivaldo Carvalho

Uma comissão suprapartidária da Câmara dos Deputados vai debater, nesta quinta-feira (8), a quebra de patente de vacinas contra a covid-19. A discussão é mundial. Há vários aspectos. O mais importante deles é o impacto que a medida teria sobre povos pobres, que sem recursos financeiros e tecnológicos estão condenados à morte, em consequência do novo coronavírus. O Brasil entra nessa conversa de forma enviesada, mais pelo negacionismo e desastroso manejo da pandemia por parte do Governo Federal do que pelas condições objetivas para já dispor do próprio imunizante, como mostram os demais países dos Brics (Rússia, Índia, China e África do Sul).

Mas quem está correndo contra o tempo, com tantas vidas humanas perdidas, não deve perder mais tempo discutindo a origem do problema nem nosso complexo de vira-latas perante o mundo. O desespero é um péssimo conselheiro, mas situações extremas exigem decisões também extremas. O Brasil deve mergulhar de cabeça na luta por mais vacinas – importadas, envasadas aqui, produzidas com tecnologia própria ou a partir de patentes quebradas. E, quem sabe, pegando a boa veia demonstrada ontem (6) pelo novo ministro das Relações Exteriores, Carlos França, que prometeu engajar o Itamaraty na “diplomacia da vacina”. Isso, se o chefe imediato dele não atrapalhar.

Guerra envolve Brics, OMS, OMC e EUA
A briga pela quebra de patente de vacinas não será uma discussão fácil, rápida nem de resultado previsível. A questão está na Organização Mundial da Saúde (OMS) e Organização Mundial do Comércio (OMC), foros dos quais o Brasil é membro. Os Brics se movimentam. Em outubro de 2020, Índia e África do Sul levaram a proposta de suspensão de patentes dos imunizantes à OMC. Rússia e China apoiam. Pelas regras atuais, firmadas em 1994, com o apoio dos Estados Unidos, fórmulas farmacêuticas têm duração mínima de 20 anos.

O prognóstico de FHC e a disputa de 2022
O tucano FHC diz que pode apoiar o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) ao Planalto, em 2022, caso este se mostre competitivo. O nome natural do ex-presidente é o correligionário e governador de São Paulo, João Doria. Na pesquisa XP/Ipesp de ontem, o pedetista aparece com 9% das intenções de voto, contra 3% do tucano. São números tímidos, mas animadores para Ciro.

Lula: o pedido, o conselho e a realidade
O problema da terceira via no ano que vem é, definitivamente, o fator Lula. Ciro afirma que o ex-presidente deve se espelhar na argentina Cristina Kirchner, que em 2019 abriu mão da cabeça de chapa para unificar o país. FHC reforça que o petista deveria “passar o bastão”. Mas é difícil convencer o PT, com Lula beirando os 30% em projeção de 1º turno.

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