Opinião

Cláusula de barreira, fim das coligações proporcionais e novos candidatos motivam inquietação

O resultado eleitoral do ano passado, quando tivemos as eleições municipais, a primeira sem as coligações proporcionais, deixou os atuais detentores de mandatos nos legislativos estadual e federal  deveras preocupados com o enfrentar as urnas em 2022, na busca de reeleições. Mais de 10 partidos não alcançaram o mínimo de 2% dos votos estabelecidos pela Cláusula de Barreira. Além disso, sem as coligações, os políticos tiveram que trabalhar bem mais, posto não contarem com a ajuda dos chamados “buchas”, os candidatos de partidos menores coligados com os grandes em busca de suplências ou de uma vaga das sobras eleitorais.

Hoje, nos bastidores da política cearense, fala-se muito em negociações para troca de partidos, embora alguns alimentem a possibilidade de mudança na legislação eleitoral para o estabelecimento de novas regras que possam minimizar os efeitos do fim das coligações. Tomando por base as votações que tiveram no último pleito (2018), deputados estaduais cearenses fazem as suas projeções, sempre comparando-as com os seus principais adversários, dentro da própria agremiação, e daí começam a conjecturar sobre o futuro, no seu atual ou noutro partido.

Na bancada estadual do PDT, com as possibilidades de novos candidatos à Assembleia Legislativa, com forte potencial eleitoral, o ruído é maior. Os que foram eleitos com bem menos votos são os mais preocupados, pois contam como certas as eleições de Lia Gomes, irmã do atual prefeito de Sobral, Ivo Gomes, e dos ex-governadores Ciro e Cid Gomes; do atual presidente da Câmara Municipal de Fortaleza, Antônio Henrique; do ex-prefeito de São Gonçalo do Amarante, Cláudio Pinho, hoje secretário da administração do prefeito José Sarto, e mais o atual prefeito de Itarema, Elizeu Monteiro. Outros nomes, na base governista, também com boas chances de vitória, ainda poderão surgir.

2018: poucos alcançaram o quociente
Em 2018, o número de votos válidos para deputado estadual divido por 46, o total de deputados estaduais, resultou em quociente eleitoral correspondente a 99.564 votos para eleger um parlamentar. Poucos alcançaram aquele número de sufrágios. A grande maioria foi eleita com o somatório dos votos dos suplentes de sua própria agremiação ou dos candidatos coligados. Os últimos deputados estaduais eleitos pelo PDT somaram pouco mais de 49 mil votos.

Disputas ficarão mais difíceis
Agora, pelas novas regras, a situação é diferente. Os sufrágios de cada partido definirão os números dos eleitos. E então a disputa fica mais difícil, inclusive dentro da própria agremiação. E é por isso que alguns políticos, os menos votadas no pleito anterior  já negociam mudanças de filiação. Eles têm consciência que com as normas atuais não lograrão êxito na disputa e, não querendo ser as “buchas”, aquelas que os ajudaram a chegar onde estão, buscarão outros caminhos, inclusive o da desistência de concorrer.

Número de partidos ficará menor
Como nas eleições municipais do ano passado, mais partidos poderão não alcançar o percentual mínimo de votos para continuarem com as benesses concedidas pela legislação partidária. Pelos cálculos feitos atualmente, embora não se saiba que mudanças ocorrerão na legislação eleitoral, até o início de outubro, um ano antes do dia da votação em 2022, o número de partidos hoje representado na Assembleia ficará menor.

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