Opinião

Ceará – a transição energética justa

Cibele Gaspar é diretora da Nexxi Assessoria Financeira

Por
Cibele Gaspar

O Ceará apresentou na COP 26 uma estratégia consistente e diferenciada para uma transição energética justa, com inovadora visão de futuro, através da produção de hidrogênio verde em Pecém. São onze memorandos de entendimento firmados com investidores globais. Os empreendimentos se implantarão na ZPE do Ceará, única até agora alfandegada e em franca operação no Brasil, utilizando energia eólica e solar como principal insumo, com forte vantagem competitiva frente aos players mundiais.

A estratégia requer a superação de questões relevantes – tecnologia para transporte e armazenamento, gigantesco volume de recursos financeiros necessários, mercado de carbono global e questões regulatórias e legais. Já o aquecimento global não espera. Sem avanços rápidos na tecnologia de armazenagem, as fontes renováveis, sozinhas, não darão conta do recado. O que fazer enquanto tais soluções não estão presentes?

Diz-se que problemas que parecem insolúveis disfarçam oportunidades extraordinárias. O uso de gás natural e biocombustíveis, recursos domésticos abundantes e mais baratos, será crucial para o futuro energético que virá e é uma das formas mais econômicas de redução dos níveis de carbono na atmosfera. O Brasil possui o maior potencial de produção de biogás a partir de resíduos do mundo, graças à sua extensa produtividade agroindustrial, e aos resíduos urbanos gerados por seus mais de 200 milhões de habitantes.

É do Ceará a primeira usina de tratamento do biogás do Norte e Nordeste, uma parceria entre a Marquise Ambiental e a Ecometano. Localizado no Aterro Municipal Oeste de Caucaia, possui um sofisticado sistema de tratamento de gás natural renovável e produz mais de 90 mil m³ de biometano por dia, tornando-se a segunda maior unidade do gênero do País.

Despachável, confiável e competitivo, o biogás possui geração firme e não-intermitente. Seu aproveitamento estimula investimentos na adequada destinação de resíduos urbanos e do agronegócio, constituindo-se num grande aliado do saneamento ambiental. Se o foco está em construir uma transição energética justa e segura, do ponto de vista econômico, social e ambiental, o Ceará já encontrou o caminho das pedras. Agora é alargar os horizontes e as possibilidades, com os pés firmes no chão e os olhos voltados para o futuro.

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