Opinião

Camilo quer trocar secretários no início de janeiro. Afasta, discretamente, os indesejados – Edison Silva

(Foto: José Wagner/Governo do Estado)

Uma circular, assinada pelo secretário da Casa Civil do Governo do Estado, jornalista Chagas Vieira, recentemente foi encaminhada a todos os secretários de Estado, com a indicação de que os pretensos candidatos nas eleições do próximo ano, por recomendação do governador Camilo Santana, devem entregar os cargos. A alegação, acrescenta o documento, é para evitar a descontinuidade do Governo com a mudança de secretários somente em abril, quando, obrigatoriamente, a partir do dia 2 daquele mês, todos terão que estar desincompatibilizados, atendendo a regramento da Legislação Eleitoral.

Ao menos dois secretários, que há alguns meses trabalham para conquistar mandato parlamentares no próximo ano, causam incômodos ao governador Camilo Santana. Um mais que o outro, pois além das questões políticas de assédio a colégios de correligionários da base governista, tem sido apontado, nas conversas reservadas, de estar envolvido com questões duvidosas no campo da ética. Como candidato a senador, uma eleição majoritária, o governador não pode ter correligionário insatisfeito com a atuação de qualquer dos seus auxiliares, principalmente se esses forem candidatos, consequentemente, concorrentes dos deputados federais e estaduais.

Assim, a decisão de exonerar os prováveis candidatos, que hoje ajudam diretamente o Governo, acaba, embora não sendo do agrado geral, contribuindo para estancar uma parte significativa da insatisfação, posto ser a mais agressiva, pois é a do avanço em colégios eleitorais dos aliados, contando com a ajuda da estrutura de Governo. Sem os cargos, os atuais secretários podem até, com a ajuda dos amigos que ficarem na administração, continuar fazendo campanha utilizando-se das benesses que o Poder oferece, mas, sem dúvida, será em menor escala e muito mais vigiados, inclusive pelo próprio governador, o mais interessado em manter um tratamento igualitário, pelo menos até 2 de abril, para não perder o entusiasmo e os votos que possam ser carregados para sua campanha de senador, pelos aliados todos.

Não pode haver restrição de aliado

O ex-governador Adauto Bezerra, no auge da força política dos coronéis (ele próprio, Cesar Cals e Virgílio Távora), renunciou ao mandato para ser candidato a senador e desistiu da disputa logo depois da renúncia advertido por um discurso do deputado federal virgilista Aroldo Sanford, em Sobral, reclamando da má atenção dele, enquanto governador, a pessoas ligadas ao grupo de Virgílio. Parte do pessoal ligado a Virgílio fazia objeção a Adauto. E Edilson Távora, candidato ao Senado apoiado pelo então governador Cesar Cals, acabou perdendo a disputa para o senador Mauro Benevides, por indisposição de virgilistas e de liderados de Adauto. Em resumo: candidato a senador, com restrições de aliados, pode acabar não sendo bem sucedido eleitoralmente.

Izolda terá a própria equipe

E é só por isso que alguns secretários de Camilo serão substituídos em janeiro de 2022. Se fosse para evitar descontinuidade da administração os novos secretários seriam nomeados pela vice-governador Izolda Cela, titular efetiva do cargo a partir do dia 3 de abril, ou antes, se Camilo entender antecipar sua renúncia. E, evidente, não será Izolda quem nomeará secretários em janeiro, embora Camilo a partir de janeiro só tenha mais 90 dias de mandato, se decidido ainda estiver a entrar na disputa da única vaga de senador do Ceará naquele ano. A vice-governadora, por melhor que seja o seu relacionamento com Camilo, construído ao longo desses quase 7 anos como vice, há de ter a sua própria equipe, mesmo que nesta permaneçam alguns dos atuais secretários.

Antes de problemas incontornáveis

Politicamente, é acertada a medida adotada pelo governador de trocar algumas peças do Governo, antes que fiquem incontornáveis os problemas criados por auxiliares que, aproveitando-se do cargo e consequentemente da proximidade com o chefe do Executivo, investem  em áreas de atuação dos atuais detentores de mandatos, do mesmo grupo governista, de diversos partidos, com as armas reprováveis que são as da estrutura do Poder.

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