Opinião

As cores saltitantes de Heloisa Corrêa – Aldonso Palácio

Heloisa Corrêa

Heloisa Corrêa é brasileira de Caxias do Sul, mas sua trajetória perpassa por múltiplas cidades e culturas – Austin, Cidade do México, Buenos Aires, Stuttgart, Caracas e finalmente em Berlim, onde desde 2012 resolveu fixar residência e ateliê. 

A sua recém-aberta exposição na Gallery Good em Berlim mostra um apanhado da produção mais recente da artista plástica, que desde a década de 1990 tem se mantido fiel à abstração. Sua carreira conta com várias exposições individuais, principalmente na Alemanha. Seu interesse pelas artes começou cedo, como instrumentista e compositora de músicas para festivais estudantis. Quando cursou artes plásticas na Universidade de Caxias do Sul, construía cenários para balé e teatro, mas seu foco enquanto no Brasil manteve-se na música. A expressão através da pintura veio quando emigrou pela primeira vez aos EUA e sentiu que a linguagem não mais servia para externalizar o que sentia. Na Alemanha frequentou o atelier de Almir Mavignier, e na Venezuela visitou Luisa Richter, Rafael Barros e Patrícia Van Dalen, dentre tantos outros. 

As obras de Heloisa Corrêa não evidenciam temas, mas sugerem uma artista que persegue um certo rigor nas cores, enquanto que suas formas e composições lembram a evolução de um quarteto de jazz – encontram um equilíbrio harmonioso em meio ao improviso e à emoção. A abstração de Heloísa remonta ao pensamento do fundador Wassily Kandinsky, onde acordes e cadência na música transformavam-se em cor, forma e composição na tela num jogo de intersensorialidade. Ela segue sempre ouvindo música, seu declarado primeiro amor, enquanto pinta.

“A arte serve para que se sinta. Para que se transmita, comunique, inquiete, alarme, declare, oriente, desoriente, testemunhe e capte o espírito do tempo em que se vive. Sem arte, para mim, não tem graça, não vale, não tem por quê, seria passar pela vida em branco”, desabafa a artista. 

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