Opinião

A vida é agora – Totonho Laprovitera

“Apressa-te a viver bem e pensa que cada dia é, por si só, uma vida.” (Sêneca)

A palavra “vida” deriva de raiz indo-europeia e significa, basicamente, duração de existência. Oposta à morte, é a energia essencial pela qual se perdura, tudo próprio à sua essência. Já, a palavra “agora” decorre do latim hac hora, “nesta hora”. 

Agora, de olho na vida, quem foi que inventou o tempo? Certamente, alguém que estava presente entre o passado e o futuro. Mas prometo, de hoje para amanhã, eu vou saber para contar. 

Pois bem. Ainda bem moço, ideei: não trocarei a certeza da minha juventude pela incerteza da minha velhice. E assim me arrisquei na vida. 

Hoje, vivendo a infância da melhor idade, guardo a sorte de ter valorizado o agora. “As crianças são felizes porque vivem o agora”, ouvi de uma fada de nome Maria Maranhão. Com a cigana Nemoça, à luz de forte fogo, aprendi a ler nas minhas mãos o que desenha meu coração. A enxergar no azul a purificação, paz e tranquilidade. No verde, a saúde, cura, esperança e força. No amarelo, estudos, prosperidade e alegria. E por aí vai. 

É, enquanto a noite cai no infinito das estrelas, voam os pensamentos, dormem meus sonhos. O tempo em silêncio faz da vida uma viagem, um filme da história em que eu imagino existir. Invento calendários, as pelejas viro em sossego. Os dias me são medida divina e em suas pausas invento eras de espelhos. Farto a sede e a fome, para na calma namorar. 

A minha arte fala por si e eu apenas conto o que sinto para ela. A minha arte me beija a vida e eu, a sério, brinco com ela. A minha arte não tem começo, meio ou fim. Ela é uma estância singela e canções pintam de luz os desenhos das minhas inspirações. Na arte da vida, a vida em arte. Amar a arte, a vida amar! Vixe, viajei! 

Como de costume, ao me balançar na velha rede de solassol – presente dos amigos Marcílio e Sylvinha – enquanto mango do avexado das horas, eu matuto. O dedo de Deus ao girar o planeta é o mesmo a apontar ao que se duvida: no voo da vida de uma borboleta a gente enxerga do fim a saída. Pois é, neste exato momento, neste certo instante, diante da relativização de tantos valores existenciais, o agora nos aponta mil infinitos, afinal de contas, quem do amor na vida provou, tem a certeza de um dia dizer: da vida eu vim e nela estou, é pra ela que vou! Viajei de novo! 

Por derradeiro, o que é vida e o que é morte? Na dúvida da minha santa ignorância, vida, não me deixa senão eu morro! Mas como diz o professor Josué de Castro, “nós, esculápios, procuramos na morte o segredo da vida. E por que temermos a morte se Deus nos deu a vida? A vida eterna”. 

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