Economia

Usina de dessalinização irá aumentar em 12% a capacidade hídrica de Fortaleza

A unidade será construída e operacionalizada pelo Consórcio Águas de Fortaleza, liderado pelo Grupo Marquise, que venceu a licitação no valor de R$ 3,2 bilhões. De acordo com a empresa, a concessão tem o prazo de 30 anos

Nathália Bernardo
nathalia@ootimista.com.br
Giuliano Villa Nova
economia@ootimista.com.br

 

Uma usina de dessalinização da água do mar será instalada na Praia do Futuro, em Fortaleza, o que deve aumentar em 12% a capacidade hídrica da capital cearense. A unidade será construída e operacionalizada pelo Consórcio Águas de Fortaleza, liderado pelo Grupo Marquise, que venceu a licitação no valor de R$ 3,2 bilhões. Nesta entrevista exclusiva para o Jornal O Otimista, Renan  Carvalho, Diretor de Infraestrutura do Grupo Marquise, traz mais detalhes a respeito da obra e sobre o funcionamento da usina, além dos benefícios que o empreendimento vai proporcionar para a população.

O Otimista: Depois que a licitação foi concluída, quais serão as próximas etapas do processo?

Renan Carvalho: Superada essa última etapa, que foi a declaração do vencedor, no caso, o consórcio Águas de Fortaleza, do qual a Marquise faz parte, abre-se um prazo previsto no edital, que é o prazo de recursos, que são de 5 dias para a apresentação de recursos e contrarrazões, e partir daí, é aguardar, por parte da administração da Cagece e da administração pública a homologação e a adjudicação do contrato.

O Otimista: Depois de assinado o contrato, quando a população pode contar com essa água dessalinizada?

Renan Carvalho: A partir da contratação, o previsto são, aproximadamente, seis meses para a elaboração dos projetos executivos. A partir de então, conta um prazo para licenciamento ambiental, de mais 11 meses, e a partir de então, mãos à obra! Depois desse prazo, a obra é para ser desenvolvida num prazo de 24 meses.

O Otimista – O investimento no complexo está estimado em pouco mais de R$ 530 milhões. Esses recursos são referentes a que etapas?

Renan Carvalho: Esse valor absorve toda a parte de projeto, a parte de licenciamento, as obras em si, que são compostas pela captação, do emissário à planta de dessalinização, e o sistema adutor para levar a água até os reservatórios existentes. Isso é o que compõe esse valor mencionado.

O Otimista: A planta vai atender a população da Região Metropolitana de Fortaleza?

Renan Carvalho: O objetivo dela é a Região Metropolitana de Fortaleza. Ela diretamente está inserida em  alguns bairros, mas essa água pode ser remanejada e gerenciada, pela Cagece, para atender toda a Região Metropolitana de Fortaleza.

O Otimista: Vocês direcionam essa água para os reservatórios da Cagece e ela faz a distribuição conforme a demanda?

Renan Carvalho: Exatamente. São dois reservatórios. Depois da água dessalinizada, ela é dirigida para dois reservatórios: um, fica ali na região da Praia do Futuro, perto das Docas, e o outro, na Praça da Imprensa. São duas adutoras levando essa água dessalinizada e tratada.

O Otimista: A gente está vendo outros investimentos na área de segurança hídrica, como as águas da Transposição do São Francisco, que acabaram de chegar ao Ceará, estão entrando no Cinturão das Águas. São públicos diferentes, que vão ser atendidos pelas duas obras?

Renan Carvalho: A Cagece e a Cogerh têm mais autoridade para falar sobre isso, mas a minha compreensão é de que a grande vantagem da Transposição do São Francisco se dá mais para a região do sertão, do Cariri e do sertão. Porque é uma água que, para Fortaleza, está distante. Ela tem um custo, tem perdas acentuadas, pela distância, e a dessalinização tem um foco, que é a cidade de Fortaleza. E que, pelo histórico recente que a gente tem, é uma necessidade que se mostra clara.

O Otimista: Essa planta não necessariamente vai se manter em operação full-time, ela é uma planta de segurança?

Renan Carvalho: Normalmente, um sistema de dessalinização é um sistema de segurança, mas no caso de Fortaleza, pelo histórico dos últimos anos, do problema hídrico que a gente vê cada vez mais acentuado, ela é uma necessidade real. A nosso ver, ela tem funcionalidade, ela vai realmente funcionar – se na plenitude ou não, aí vai depender de cada ano, mas em princípio eu não vejo como ela não funcionar. A previsão é de que ela realmente funcione com constância.

O Otimista: Desde que se começou a falar em uma planta de dessalinização em Fortaleza, se levantava muito o custo do metro cúbico. Isso era inviável e vocês conseguiram viabilizar, a tecnologia ajudou, ou de fato é uma necessidade que se impõe, para além do custo?

Renan Carvalho: Evidentemente, como é uma água de um processo como a dessalinização, ela não pode ser comparada com uma água de um manancial. Mas caro, mesmo, é o carro-pipa. Faltar água é o que existe de mais caro. Realmente a água dessalinizada não tem o mesmo custo de uma água de chuva, mas quando se vê o que nós, cearenses, passamos aqui, permanentemente, essa escassez de água, a dessalinização é realmente um caminho que é uma grande ideia, do governo, da Cagece.

O Otimista: Essa vai ser a maior planta de dessalinização do Brasil. Qual vai ser a capacidade dela?

Renan Carvalho: Ela pode trabalhar até um metro cúbico por segundo. Realmente é a maior planta dessa área no Brasil, e dá mais de 2,5 milhões de metros cúbicos por mês. É uma demanda significativa. Naturalmente que é até um metro cúbico, a demanda que vai dizer qual é a quantidade que será fornecida.

O Otimista: Em que lugares do mundo há plantas semelhantes, de porte semelhante?

Renan Carvalho: Em Israel, que é tradicional, bem avançado nessa área. Na Califórnia tem, vários lugares do mundo já usam essa solução.

O Otimista: Em termos de tecnologia, ela é desenvolvida aqui, ou vocês estão importando dos lugares que já têm?

Renan Carvalho: Essa obra, a planta é uma parte do sistema. Existe toda uma gama de atividades de estrutura de obra. Da planta, em si, nós temos um parceiro, que é de fora, bem tradicional nessa área, que entra no nosso consórcio com 10%, que é a Abengoa, que é específica dessa área, e já tem outras plantas instaladas em vários lugares do mundo.

O Otimista: Vocês ainda vão passar pela fase de licenciamento ambiental. Que tipo de especificidades uma planta como essa, que a gente ainda não tem em operação no Brasil, desse porte, requer?

Renan Carvalho: Na parte ambiental, primeiro, que se mexe com o mar. A tomada da água é no mar, então todo trabalho que se dá no mar tem que fazer todos os estudos para que isso não tenha grande interferência no sistema. Esse talvez seja o maior desafio na área ambiental, superar e conviver com todos esses cuidados.

O Otimista: Qual é a importância desse projeto para o Grupo Marquise?

Renan Carvalho: A Marquise é uma empresa que está sempre olhando para o futuro, em várias atividades. E esse projeto grandioso, nós, que somos de uma empresa genuinamente cearense, trabalhar com o produto água, para a nossa população, é realmente um motivo de orgulho, que a gente espera realmente conseguir implementar com muito sucesso.

O Otimista: Operando na capacidade total, a usina consegue atender a quantas pessoas?

Renan Carvalho: Consegue ajudar Fortaleza como um todo. Porque, na verdade, é um sistema de apoio ao que existe, então é a cidade toda.

 

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